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quinta-feira, 10 de junho de 2010

O romance de Riobaldo e Diadorim


Ainda recordo o arrebatamento que senti quando li pela primeira vez a obra-prima de Guimarães Rosa, o livro que considero um grande poema em prosa: "Grande Sertão: veredas". As imagens da travessia de Riobaldo ainda povoam minha imaginação e a singular história de amor entre esse jagunço e Diadorim me deixa, até hoje, sem palavras.

O segundo arrebatamento relativo a essa magnífica obra, foi quando ouvi a música intitulada de "O romance de Riobaldo e Diadorim", delicadamente composta pelo fantástico brincante Antônio Nóbrega em parceria com Wilson Freire e que consta no disco "Lunário Perpétuo" (2002)

Ouvir a melodia dessa canção e a voz encantada de Antônio Nóbrega me deixou anestesiada e as imagens que criei ao ler o livro regressaram à minha cabeça como numa explosão. Sem mais o que dizer, deixo aqui a letra da canção e um link para quem se interessar em ouvir e apreciar essa poesia repleta de encantamento.

O romance de Riobaldo e Diadorim
Composição: Antonio Nóbrega e Wilson Freire

Quando eu vi aqueles olhos,
Verdes como nenhum pasto,
Cortantes palhas de cana,
De lembrá-los não me gasto.
Desejei não fossem embora,
E deles nunca me afasto.

Vivemos a desventura
De um mal de amor oculto,
Que cresceu dentro de nós
Como sombra, feito um vulto.
Que não conheceu afago,
Só guerra, fogo e insulto.

Na noite-grande-fatal,
O meu amor encantou-se.
Desnudo corpo inteiro
Desencantado mostrou-se.
E o que era um segredo,
Sem mais nada revelou-se.

Sob as roupas de jagunço,
Corpo de mulher eu via.
A deus, já dada, sem vida,
O vau da minha alegria.
Diadorim, diadorim…
Minha incontida sangria.

Para ouvir ou baixar a música:
Romance de Riobaldo e Diadorim - Antonio Nóbrega.mp3

Imagem: algures na net. 

4 comentários:

  1. Quadras de Santo Antoninho

    O alecrim serenado
    Debaixo da água s'acende
    É como dois namorados
    Que pelo olhar s'entende

    Vou do campo p'ra cidade
    Qu'o campo já m'aborrece
    Qu'é na cidade qu'eu tenho
    Quem por minh'alma padece

    Quando eu comecei a amar
    Foi numa segunda-feira
    Fui amando e fui gostando
    Amei a semana inteira

    Eu não quero amor alto
    Que não me caiba na porta
    Quero um amor rasteirinho
    Com' um craveiro na horta

    Tenho dentro do meu peito
    cidras, laranja, limão
    Falta-me p'ra toda a fruta
    Menina, o teu coração

    O meu coração dá horas
    O meu peito badaladas
    Nos dias que te não vejo
    Trago as horas contadas

    Eu amei-te de pequenina
    No colo de tua mãe
    Agora p'ra te largar
    Isso é que não me convém

    Ah lua qu'alumiais
    Lá no mar o pescador
    'lumeia-me cá na terra
    P'ra eu ver o meu amor

    Quando eu te vi logo disse
    Linda prenda para Amar
    Linda boca p'ra dar beijos
    Linda mão para apertar

    Eu assubi para o alto
    Que do alto eu vejo bem
    Para ver o meu Amor
    S'ele fala com alguém

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  2. Dizem que Santo Antonio é um santinho poderoso. Prefiro acreditar nos antigos!!!
    Obrigada pelas quadrinhas.
    Bjs!

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  3. Até eu que não li o livro me emociono quando escuto essa música...

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