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domingo, 25 de julho de 2010

Xote dos Poetas


Sonhei com Pablo Neruda, em plena praia do Futuro
Escrevendo num imenso muro, la palabra Libertad.
Com poemas de Vinicius, en las manos 

Eram hermanos, recitava Éluard.
E gente em plena tarde, poetas de todo mundo
Escrevendo por toda parte, la palabra Libertad.
Voava com Castro Alves, Gregório também Gonçalves
Dias e noites latinas, Cabral dançando um frevo.
E um cego de improviso, no imenso salão da claridade
Relampejou num sorriso, la palabra Libertad.


Toda família Andrade, Zé Limeira, Ferreira  e eu.
Pessoa e Garcia Lorca, queimando pau de uma forca
Asteando Manuel Bandeira, la palavra Liberdad.
 

Maracatu de d. Santa, batutas de s. José
Patativa do Assaré, e também Dodô e Osmar.
Vi Dirceu atrás da grade: abre, Marília, sou eu.
Sonhando num céu de fogo, libertas quae sera tamen
E um cheiro de tangerina, descascava Jorge de Lima
As invenções de Orfeu, rezava Murilo Mendes.
Gritava o povo no vale, num muro grande concreto
Gás neon sobre o deserto,
A inscrição liber tarde.
Gritava o pé de chinelo, esquentava o bóia-fria
Soletrava um pau - de - arara, entre as coxas de Maria.
E um prato de feijão, decifrava o analfabeto
A escrita de Malarmé, em pleno golpe da sorte
A morte fugiu pra Marte.
A vida disse: aqui jazz suíngue por toda parte.
Xote, xaxado e baião, o repentista azulão
Anunciou no sertão
A palavra Liberdade


Una canción desesperada, duas chilenas amaban
Se fueron com tres donzelas, cuatro muchachas morenas
A las cinco en punto de la tarde, las sies grandes bascas
En siete estrellas tornaron, ocho novias brasileñas
Nueve puñales, diez varandas,
Sangre nel mural de la tarde


La palabra libertad




Zé Ramalho
Orquídea Negra - 1983

2 comentários:

  1. Me gusta! ^_^

    Beijo, beijo.

    ℓυηα

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  2. que lindoo, adorei aqui e já estou seguindo, beijos...

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