Páginas

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O anjo torto

“Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! Ser gauche na vida.”

A 31 de outubro de 1902 o anjo torto anuncia o nascimento do menino franzino que faria da linguagem o seu reino. Carlos Drummond de Andrade, homem tímido e reservado foi poeta de engenho e arte, contista de verve e cronista do seu próprio tempo e do tempo futuro.

Com as palavras mais simples - mas nunca ingênuas - Drummond arquitetou sua obra. Foi ele quem pôs a pedra no meio do caminho. Difícil transpô-la, porém inesquecível, pois essa é a pedra fundamental para ingressar no mundo do poeta gauche.

Sobre o fazer poético ele dizia:

“Entendo que a poesia é negócio de grande responsabilidade, e não considero honesto rotular-se de poeta quem apenas verseje por dor-de-cotovelo, falta de dinheiro ou momentânea tomada de contato com as forças líricas do mundo, sem se entregar aos trabalhos cotidianos e secretos da técnica, da leitura, da contemplação e mesmo da ação. Até os poetas se armam, e um poeta desarmado é, mesmo, um ser à mercê de inspirações fáceis, dócil às modas e compromissos”.

Drummond foi poeta engajado e num "catar feijão" - à moda de João Cabral de Mello Neto - armou-se com palavras certeiras, mas vestiu-se com lirismo. Carlito também foi vate do Amor, da Esperança e das Reminiscências.
(Continua...)

2 comentários:

  1. Eu não conhecia essa declaração dele, sabe? Lendo-a percebi que não estou tão errada no que penso sobre poesia e poetas...

    Beijo.

    ℓυηα

    ResponderExcluir
  2. Ao nos apresentar ao "gauche", Drummond acabou contribuindo para outros "gauches" se reconhecerem... tipo: "quando nasci, um anjo maluco, cego e iletrado disse: vai Lígia, ser jornalista na vida"...

    ResponderExcluir