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domingo, 21 de novembro de 2010

A Fábrica do Poeta

Fabrico uma esperança
como quem apaga
algo sujo num muro,
e ali, rápido, escreve:
Futuro.
 
Fabrico uma pureza
tão menina,
tão cristal e tão fonte
que, de repente,
É meu todo o horizonte.
 
Fabrico uma alegria
que é de ver as coisas
como se só agora
é que nascesse,
A aurora.
 
Fabrico uma certeza
exata
para cada instante.
A vida não está atrás,
Mas adiante.
 
Fabrico com o que tiro
de mim mesmo e do mundo
meu dia.
E ao que, em síntese, sou
Junto o que queria.
 
Fabrico uma hora densa,
como quem descobre.
Ah, quem diria
Que essa hora imensa
Já é poesia?
 
Emílio Moura
In: Poesias

Imagem: Web

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