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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Odor de rosas



Estou sentindo em meu quarto um leve aroma de rosas. Ou poderia dizer: um leve "odor de rosas".
Sempre tive uma memória olfativa muito aguçada e é, geralmente, a partir dessas  impressões que eu recordo de momentos da minha infância. E foi por estar num daqueles dias nostálgicos que resolvi comprar um sabonete que minha saudosa avó materna, Águida Maria, gostava de usar: Phebo - Odor de rosas. Essa marca de sabonetes, que hoje percebo o quanto é vintage, era produto de perfumaria e higiene que eu só utilizava nos dias em que visitava a casa da vovó.
Os dias naquele sítio eram longos, alí ainda não havia energia elétrica, de modo que a televisão não estava onipresente. As horas eram vividas em meio às árvores repletas de frutinhas cheirosas, brincadeiras com meus irmãos e meus primos, banhos de cacimba, correrias pelo quintal e sempre com os pés no chão, sempre com a roupa suja de terra. Mas ao fim do dia mamãe dizia: vamos tomar banho para ir pra casa. Então essa era a hora de sentir aquele aroma peculiar. O cheirinho do sabonete que vovó Águida gostava de usar.
Esses banhos eram, quase sempre, à luz de uma lamparina e talvez por isso a fragrância desse sabonete de aparência tão rústica mas de aroma tão delicado, as delícias daqueles dias e a simplicidade da minha querida avó até hoje permaneçam vivas em minhas recordações.
Bons aromas para você!


Foto: Margot Félix

terça-feira, 20 de abril de 2010

Qual o seu livro favorito?


 
Esse é o tipo de pergunta difícil, pois o livro é um objeto que me acompanha há muito. Tanto que não o vejo mais como um simples objeto. O livro, para mim, é um amigo; amigo que posso carregar no bolso. Então como apontar o favorito?
 
Parece que essa é uma resposta que não pode ser definitiva. Em cada fase de nossa vida um livro estará mais presente, os escritos de um determinado escritor ou poeta farão mais sentido. No início da minha adolescência, e lá se vão alguns anos, os livros que estavam por perto eram aqueles da "Série Vagalume" e "Para Gostar de Ler". Essas e outras séries foram responsáveis por criar meu gosto pela leitura. Eles eram os favoritos.
 
Depois disso, fui fazendo descobertas sem fim. Tropecei na pedra que Drummond deixou, estrategicamente, no meio do caminho, e dela nuca me esquecerei. Participei das fantasias de “O Menino no Espelho” – Fernando Sabino. Passei dias tentando desvendar o mistério dos olhos de ressaca e cigana dissimulada de Capitu, em “Dom Casmurro” – Machado de Assis.
 
Dei risadas com as presepadas de João Grilo, Chicó e Quaderna em “O auto da compadecida” e o “Romance d’ A Pedra do Reino” – Ariano Suassuna. Lamentei o destino de “Madame Bovary” – Flaubert, e Luísa em “O Primo Basílio” – Eça de Queiroz. Senti náuseas com a inerte Macabea em “A hora da estrela” – Clarice Lispector.
 
Chorei com a história de amor de Riobaldo e Diadorim nas veredas do “Grande Sertão” de Guimarães Rosa. E ainda no grande Rosa, fiquei encantada com as sutilezas do menino Miguilim em "Manuelzão e Miguilim". Graciliano Ramos me fez sentir o gosto amargo das "Vidas Secas" de Fabiano, sua família e a cachorra Baleia. Também provei das incertezas do retirante Severino em "Morte e Vida Severina" - João Cabral de Melo Neto.
 
E foram tantos outros sentimentos e impressões que não dá para relatar em apenas um post. É por isso que me sinto incapaz de apontar meu livro favorito.
 
Então passo a vez e pergunto: Qual o seu livro favorito?

domingo, 18 de abril de 2010

"Alfredo, é belíssimo. Bravo, Alfredo!"


Como não vibrar ao ouvir essa exclamação? Como não se envolver com as descobertas do menino Totó?

Cinema Paradiso (1988), do diretor italiano Giuseppe Tornatore, faz parte da minha lista  de filmes memoráveis, porque tem enredo metalinguístico, música do genial Ennio Morriconi, cenas antológicas e, sobretudo, por tratar do valor do companheirismo, do respeito e da cumplicidade entre amigos.

A amizade entre o menino Totó e o projecionista Alfredo é pura e desinteressada e ambos compartilham de uma mesma paixão: o cinema. É naquela sala de projeção que Totó e Alfredo se transportam para um mundo de sonho. É ali que eles podem ser o que quiserem. O menino esquece que seu pai está na guerra e o projecionista semi-analfabeto, que embora lamente a solidão de sua profissão, acredita que é graças ao seu trabalho que as pessoas na plateia dão risadas e se divertem.

Das cenas de imensa beleza, a que mais me toca é esta:



Bravo, Alfredo! O presente que tu deste ao menino Totó, para além das imagens, foi apontar o caminho e ensiná-lo a ser gente.

E aqui fica o meu presente. A cena onde Totó, agora o respeitado cineasta Salvatore Cascio, se delicia com as imagens que um dia passaram pela censura do Padre Adelfio, mas que foram cuidadosamente compiladas por Alfredo, seu companheiro das salas que projetam sonhos e de uma vida inteira.



Cinema Paradiso é um hino ao cinema.
É um hino à amizade.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Mais uma tentativa


 Já não conto as vezes que tentei escrever um blog. É sempre o mesmo processo, cria blog, edita blog, configura blog... passam uns dias e lá está o blog completamente abandonado. E agora?  Olha eu aqui outra vez!
Não prometo nada, mas vou procurar ser um pouquinho mais assídua e persistente. Para acreditar no que eu mesma estou escrevendo, vou fazer uma lista de coisas pequenas que são do meu interesse diário. Assim, sempre que eu lembrar dessas palavras-chave, possivelmente virei aqui e postarei algo.

Eis as palavras-chave:
Literatura
Cinema
Fotografia
Gatos
Culinária
Momentos epifânicos
...

Já chega... são só palavras. Dessas daí é possível desdobrar o mundo. Será que dou conta? Se não der não faz mal, pois esse aqui é só um Compartimento Secreto para Coisas Pequenas.