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terça-feira, 27 de julho de 2010

Mary e Max


Você acredita em amizade à distância, entre pessoas que nunca se viram? Talvez seja difícil, mas é bem possível. E você acredita numa amizade através de correspondências, entre uma menina de 8 anos e um homem de 44 anos? Bom, essa distância parece maior do que a geográfica. Mas foi assim com Mary e Max, personagens do filme homônimo, realizado por Adam Elliot e desenvolvido com a técnica de stop-motion.

O filme, baseado em fatos reais, conta a história de amizade entre a triste menina Mary, que vive na Austrália, e o novaiorquino Max, que mora sozinho e sofre da Síndrome de Asperger. Síndrome essa que faz com que Max viva recluso em seu apartamento e também num mundo só dele, repleto de indagações com respostas que talvez ele jamais alcance. O mesmo acontece com Mary, lá do outro lado do mundo, vivendo numa casa onde as pessoas quase não se olham, tampouco se tocam.

A troca de correspondências inicia-se quando Mary escolhe, na lista telefônica, um endereço para enviar uma carta. A cartinha que fora escrita com tanta urgência e vontade de resposta, cai nas mãos de um Max confuso e tímido que passa dias sem saber o que responder. Mas houve resposta, e a partir dali, desenvolve-se uma amizade feita de pureza e necessidade de troca e identificação.


O filme tem clima noir (se assim posso afirmar) e até lembra os cenários das películas de Tim Burton. A música é espetacular e merece ser ouvida separadamente do filme. Mary e Max comove e faz rir, mas também faz-nos refletir sobre a falta de diálogo entre os mais próximos e o desejo (velado, ou não) que todos temos de ter um amigo. O desejo de sermos aceitos do jeito que somos.

Então, você acredita nessa amizade?

Clique aqui para ver trailer e extras.

domingo, 25 de julho de 2010

Xote dos Poetas


Sonhei com Pablo Neruda, em plena praia do Futuro
Escrevendo num imenso muro, la palabra Libertad.
Com poemas de Vinicius, en las manos 

Eram hermanos, recitava Éluard.
E gente em plena tarde, poetas de todo mundo
Escrevendo por toda parte, la palabra Libertad.
Voava com Castro Alves, Gregório também Gonçalves
Dias e noites latinas, Cabral dançando um frevo.
E um cego de improviso, no imenso salão da claridade
Relampejou num sorriso, la palabra Libertad.


Toda família Andrade, Zé Limeira, Ferreira  e eu.
Pessoa e Garcia Lorca, queimando pau de uma forca
Asteando Manuel Bandeira, la palavra Liberdad.
 

Maracatu de d. Santa, batutas de s. José
Patativa do Assaré, e também Dodô e Osmar.
Vi Dirceu atrás da grade: abre, Marília, sou eu.
Sonhando num céu de fogo, libertas quae sera tamen
E um cheiro de tangerina, descascava Jorge de Lima
As invenções de Orfeu, rezava Murilo Mendes.
Gritava o povo no vale, num muro grande concreto
Gás neon sobre o deserto,
A inscrição liber tarde.
Gritava o pé de chinelo, esquentava o bóia-fria
Soletrava um pau - de - arara, entre as coxas de Maria.
E um prato de feijão, decifrava o analfabeto
A escrita de Malarmé, em pleno golpe da sorte
A morte fugiu pra Marte.
A vida disse: aqui jazz suíngue por toda parte.
Xote, xaxado e baião, o repentista azulão
Anunciou no sertão
A palavra Liberdade


Una canción desesperada, duas chilenas amaban
Se fueron com tres donzelas, cuatro muchachas morenas
A las cinco en punto de la tarde, las sies grandes bascas
En siete estrellas tornaron, ocho novias brasileñas
Nueve puñales, diez varandas,
Sangre nel mural de la tarde


La palabra libertad




Zé Ramalho
Orquídea Negra - 1983

quinta-feira, 22 de julho de 2010

A maior flor do mundo


Num compartimento para coisas pequenas também há espaço para "A maior flor do mundo", o único conto infantil que José Saramago escreveu. 

Nele, o autor/narrador diz: "As histórias para crianças devem ser escritas com palavras muito simples, porque as crianças sentem pequenas, sabem poucas palavras e não gostam de usá-las complicadas. Quem me dera saber escrever essas histórias, mas nunca fui capaz de aprender, e tenho pena. Se eu tivesse aquelas qualidades todas poderia contar, com pormenores, uma linda história que um dia inventei." E assim, o autor narra, como se fosse verdade, a história do menino que regou uma flor que fora plantada num terreno inóspito e, com aquele ato de generosidade, fez com que ela ressurgisse imensa e bela, dando sombra como se fosse uma gigantesca árvore. 

E com simplicidade comovente o narrador conclui: "Este era o conto que eu queria contar. Tenho muita pena de não escrever histórias para criança, mas ao menos ficaram sabendo como a história seria e poderão contá-la de outra maneira, com palavras mais simples do que as minhas e talvez mais tarde venham a saber escrever histórias para as crianças. Quem sabe se um dia virei a ler outra vez esta história, escrita por ti que o lês, mas muito mais bonita."

O vídeo a seguir é baseado no conto e foi adaptado e dirigido por Juan Pablo Etcheverry, em 2006.


"E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar?" 
José Saramago

terça-feira, 20 de julho de 2010

Abraços e Beijinhos aos amigos


No dia do amigo eu gostaria de oferecer abraços e beijinhos a todos os meus amigos. Porém, como nem todos estão presentes, quero dizer, nem todos estão ao alcance das minhas mãos, deixo aqui a receita de beijinhos para oferecer com todo carinho a cada um daqueles que adoçam meus dias e me fazem ter a certeza que investir nos amigos nunca será em vão.

Beijinhos

- 1 lata de leite condensado
- 1 colher (sopa) de manteiga
- 1 pacote (ou quanto baste) de coco ralado desidratado
- 1 pacote de cravos-da-Índia

Em uma panela cozinhe o leite condensado e a manteiga. Mexa sem parar por cerca de 6 minutos. Retire do fogo, misture ao doce 4 colheres do coco e disponha num prato untado com manteiga. Espere esfriar, depois aplique uma fina camada de manteiga nas mãos e faça as bolinhas com o auxílio de uma colher de chá. Passe-as em coco ralado e coloque em forminhas de papel (de preferência bem coloridas). Para finalizar, espete em cada bolinha um cravo-da-Índia. E estarão prontos os beijinhos! 

Dica: Para polvilhar as bolinhas no coco peça a ajuda de alguém, pois as mãos ficam um pouquinho "melequentas" quando fazemos as bolinhas. =D

Como não existe receita para abraços, esses ficarão guardados para serem oferecidos pessoalmente. Espero que todos sintam-se beijados com essa receitinha simples!

Feliz Dia do Amigo,
aos meus amigos do passado, do presente e do futuro.

domingo, 18 de julho de 2010

Das vantagens de ser bobo

 
- O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar no mundo.
- O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: “Estou fazendo. Estou pensando”.
- Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a ideia.
- O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não veem.
- Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os veem como simples pessoas humanas.
- O bobo ganha liberdade e sabedoria para viver.
- O bobo parece nunca ter tido vez. No entanto, muitas vezes o bobo é um Dostoievski.
- Há desvantagens, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era a de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro.
- Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranquilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado.
- O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo nem nota que venceu.
- Aviso: não confundir bobos com burros.
- Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a frase célebre: “Até tu, Brutus?”
- Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!
- Os bobos, com suas palhaçadas, devem estar todos no céu.
- Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.
- O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos.
- Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos.
- Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham vida.
- Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.
- Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minhas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!
- Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas.
- É quase impossível evitar o excesso de amor que um bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.
 
Clarice Lispector
In: Aprendendo a viver 


Narração: Aracy Balabanian

Imagem: Palhaço com flores - Marc Chagall - 1963

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Estão todos bem


É bom quando escolhemos um filme sem esperar muito dele e dali temos um sobressalto. Foi assim quando vi "Estão todos bem" - 2009, remake do filme de Giuseppe Tornatore, "Estamos todos bem", rodado na Itália em 1990.

Devo confessar que a escolha foi, principalmente, por ter o ator Robert De Niro no elenco. Gosto, quase sempre, de sua atuação e dessa vez não foi diferente.

De Niro interpreta Frank Goode, um viúvo, pai de quatro filhos adultos que vivem em cidades diferentes, motivo suficiente para que os cinco raramente se encontrem. Depois de mais um encontro frustrado, Frank decide fazer sua pequena mala e visitar de surpresa cada um de seus filhos. Mas ele não sabia que sua visita seria uma surpresa para si mesmo, pois ele termina por perceber que pouco sabe de seus filhos e constata que sua esposa havia omitido inúmeras situações com a ingênua intenção de poupá-lo de decepções.

Uma das cenas mais interessantes é quando após um infarto, numa espécie de sonho/delírio, Frank estabelece uma reunião crucial com seus quatro filhos, sendo os quatro ainda crianças. Nesse delírio Frank tem posto diante de si, aquilo que queria fingir que não sabia e, em certa medida, ele sentia o desejo de regressar no tempo para remediar o que não tinha mais remédio.

A maior parte do tempo o filme traz tons melancólicos, mas também é possível sorrir e até sentir ternura por esse pai que descobriu um pouco tarde a alegria de ser íntimo dos filhos. A fotografia com ângulos pouco convencionais para um filme desse gênero e também a música chamaram minha atenção. Destaco a música "(I want to) come home" de Paul McCartney que é linda e tem tudo a ver com a história.

Para ver o trailer, clique aqui.

terça-feira, 13 de julho de 2010

The Beatles Forever


 No dia internacional do Rock eu não poderia deixar de lembrar dos meninos de Liverpool, os quatro meninos que me ensinaram a gostar do Rock dos bons. 

Recordo a alegria que senti quando ouvi pela primeira vez os acordes dos Beatles. A princípio, não saiam do toca-fitas (sim, ainda sou do tempo dessas raridades) as canções meio chatinhas e enjoativas (chatinhas mas ainda escuto até hoje) dos álbuns "Please Please me", "With the Beatles", seguindo até "Help". Naquela época eram músicas boas para ouvir em matinê em casa de amigos. Já para não falar de alguns de seus filmes que eram de uma patetice só, mas como era bom ver aquilo.

Um tempo depois descobri o que os Beatles haviam feito de realmente bom, na época eu não tinha tanta  consciência disso, mas hoje vejo que a partir do  álbum "Revolver" ou ainda em "Rubber Soul", aqueles garotos do iê iê iê estavam amadurecendo. A canções ficaram mais criteriosas e não tinham exatamente a intenção de arrastar uma multidão de garotas histéricas para shows onde ninguém conseguia ouvir o que eles realmente estavam tocando.

De longe, o meu álbum favorito é o "Abbey Road", mas reconheço a importância do "Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band" e "Revolver". E esses são os três que para mim são indispensáveis e nunca cansarei de escutar.

Como não posso postar aqui tooodas as músicas que gosto dessa banda que amarei para sempre. Deixo a canção "Because" que está em "Abbey Road" - 1969.


 Tá, mais uma, vai!

"Across the universe" versão para o álbum "Let it be" - 1969.


Jai guru deva, Om.

sábado, 10 de julho de 2010

Mãos dadas


Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
 
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente.

Carlos Drummond de Andrade
In: Sentimento do Mundo - 1940






Foto: Magnólia Félix
Retoque digital: Margot Félix

quarta-feira, 7 de julho de 2010

O poeta não tem fim


Certa feita, Carlos Drummond de Andrade falou: "De todos nós, ele foi o único que viveu como Poeta". Com essa declaração o poeta gauche estava se referindo ao poetinha bon vivant Vinícius de Moraes, que nos disse adeus há 30 anos, a completar no próximo dia 9 de Julho.

Dizem que os poetas não morrem. E não morrem, os poetas são imortais e sua obra é a prova disso. Drummond, que o conhecia tão bem, falou que o poetinha "viveu sob o signo da paixão", então se assim ele viveu, isto é o que sentimos ao ler seus versos.

Vinícius era poeta, intelectual, mas antes de tudo um sonhador, e tinha o Amor e suas desventuras como mote principal. Quem nunca recitou um de seus sonetos  com o coração apertado ou não ouviu uma de suas canções com os olhos fechados que atire a primeira pedra. Se você atirou, então me desculpe, meu caro, pois "Como dizia o poeta"...

Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu.
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu.
Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não.
Nao há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão.
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir.
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão.

(Composição: Vinícus de Moraes/ Toquinho)


E eu repito:
Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Minúsculos


Seguindo a linha das coisas pequenas, acho que fica bem a propósito compartilhar em meu Compartimento Secreto um capítulo da série de animação "Minúsculos - A vida privada dos insetos".

Ando apaixonada pelas encantadoras histórias dos insetos que habitam jardins, campos e florestas e que de um modo divertido e poético têm suas vidas reveladas. Seus cenários em 3D, onde nunca há a intervenção humana, são fascinantes. As histórias são curtas, mas é o tempo suficiente para um mergulho no dia-a-dia dessas criaturinhas que quase nunca prestamos atenção, mas que estão sempre ao nosso redor.  


A série é exibida pela TV Cultura de segunda a sexta às 14h e 16h45 e aos sábados às 13h30 e 16h15.

domingo, 4 de julho de 2010

Para comer depois


Na minha cidade, nos domingos de tarde,
as pessoas se pôem na sombra com faca e laranjas.
Tomam a fresca e riem do rapaz de bicicleta,
a campainha desatada, aro enfeitado de laranjas:
'Eh bobagem!'
Daqui a muito progresso tecno-ilógico,
quando for impossível detectar o domingo
pelo sumo das laranjas no ar e bicicletas,
em meu país de memória e sentimento,
basta fechar os olhos:
é domingo, é domingo, é domingo.

Adélia Prado
In: Bagagem - 1976

Imagem: net

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Pé de Alegria


Algumas músicas têm o poder de traduzir nosso estado de espírito e essa é a do momento.

Pé de Alegria

Eu hoje tô feliz da vida
Em mim um pé de alegria resolveu brotar
E acho que de tão contente
Em uma borboleta de três cores
Verde, rosa e amarelinha vou me transformar.
E voar no céu azul claro
Que é claro que eu te amo, meu amor.
As coisas que sofri calada
As lágrimas na madrugada só o tempo mesmo quem curou
Felicidade é diferente
É livre, leve e consciente
E não vem em disco voador
Vem da paz de olhar profundamente
E ver dentro da gente algum valor.
Eu hoje tô feliz da vida
E lembro das longas histórias que meu pai um dia me contou.
E acho que de tão contente
Vou realmente ler o livro que há tanto tempo você me emprestou
Mas só vou gostar se for poesia que fale das belezas do amor.
E voar no céu azul claro
Que é claro que eu te quero aonde eu for.
Eu hoje to feliz da vida
Em mim um pé de alegria resolveu brotar
E acho que de tão contente
Em uma borboleta de três cores
Verde, rosa e amarelinha vou me transformar.
E voar no céu azul claro
Que é claro que eu te amo meu amor
E voar no céu azul claro
Que é claro que eu te quero aonde eu for.

Pé de Alegria - Flávia Wenceslau
Quase Primavera - 2005

Imagem: algures na net