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domingo, 28 de novembro de 2010

O Silêncio


Há um grande silêncio que está sempre à escuta...
E a gente se põe a dizer inquietantemente
qualquer coisa, qualquer coisa, seja o que for,
desde a corriqueira dúvida sobre se chove ou não chove hoje
até tua dúvida metafísica, Hamleto!
E, por todo o sempre, enquanto a gente fala, fala, fala
o silêncio escuta... 
e cala.

Mario Quintana
In: Esconderijos do tempo
Imagem: Web

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Discos Imperdíveis

"O homem que não tem a música dentro de si e que não se emociona com um concerto de doces acordes é capaz de traições, de conjuras e de rapinas."
William Shakespeare

Será que existe alguém que não gosta de música? Eu penso que é unânime, todos têm uma música ou estilo de música favorita. Nem quero falar de gostos (ou desgostos) musicais. Certo, às vezes é até discutível, mas respeitemos o gosto alheio.

O bom da música é que ela congrega as pessoas, alivia tensões, apaixona, inspira, consola e até faz chorar. Há quem diga que a música tem poder de cura - eu acredito!

Nunca sei dizer qual a minha música favorita, muito menos cantor, grupo ou compositor que mais admiro. Aprecio tantos e tantos estilos. Do rock ao samba, do jazz a bossa nova, da clássica ao pop. Para mim, o que vale mesmo é que a música esteja sempre presente. Com volume baixo a moderado ou alto quando for preciso.

E para comemorar o Dia da Música não encontrei outro modo de fazê-lo, senão compartilhando Discos Imperdíveis (clique no link), para quem gosta de ouvir música on-line enquanto trabalha, conversa, namora, lê, estuda ou apenas escuta. Há música para todos os gostos, mas todas de muito bom-gosto. Apreciem!

E o que estou ouvindo agora?! 
O silêncio da madrugada, apenas.

"Depois do silêncio, o que mais se aproxima de expressar o inexprimível é a música." 
Aldous Huxley 


Imagem: Web

domingo, 21 de novembro de 2010

A Fábrica do Poeta

Fabrico uma esperança
como quem apaga
algo sujo num muro,
e ali, rápido, escreve:
Futuro.
 
Fabrico uma pureza
tão menina,
tão cristal e tão fonte
que, de repente,
É meu todo o horizonte.
 
Fabrico uma alegria
que é de ver as coisas
como se só agora
é que nascesse,
A aurora.
 
Fabrico uma certeza
exata
para cada instante.
A vida não está atrás,
Mas adiante.
 
Fabrico com o que tiro
de mim mesmo e do mundo
meu dia.
E ao que, em síntese, sou
Junto o que queria.
 
Fabrico uma hora densa,
como quem descobre.
Ah, quem diria
Que essa hora imensa
Já é poesia?
 
Emílio Moura
In: Poesias

Imagem: Web

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A excêntrica família de Antonia


Há filmes que ao assistirmos, pensamos que não somos meros espectadores e sim personagens daquela história. É assim com o filme de Marleen Gorris, “A excêntrica família de Antonia” – 1995.

Vi o filme há 14 anos e agora fiz uma revisita a essa estranha e encantadora família. Foi delicioso reencontrar os “esquisitos” personagens daquele pacato vilarejo. A começar por Antonia, uma mulher de espírito-livre, matriarca de uma linhagem de mulheres tão fortes e determinadas quanto ela própria: a filha desenhista Danielle, a neta superdotada Therese e Sarah, a bisneta sapeca e futura escritora.

A Louca Madona que uiva em noites de lua cheia e o pudico protestante que a ama secretamente. Ele não saberia viver sem seus uivos cheios de lamentos.

O padre que larga a batina e casa-se com Letta que adora estar grávida e ao falecer, dando a luz ao 12º filho, lamentou não ter tido mais 12.

O amigo mais próximo de Antonia, o melancólico e pessimista Dedo Torto, que leva a vida entre livros e leituras de Nietzsche e Schopenhauer.

São esses e tantos outros, cada um com suas manias, defeitos e virtudes, mas sempre acolhidos por Antonia. Por isso, facilmente, nos sentimos fazer parte dessa excêntrica família. Trabalhamos no campo e sentamos à mesa juntos aos demais. Afinal, qual a família que não tem de suas esquisitices?


Gostei de rever esse filme e perceber novas nuances e sutilezas. O tom ora alegre ora triste, as recordações, os dramas, os amores felizes e infelizes, o passar das estações - o tempo sempre implacável - mas Antonia sempre forte. Antonia que semeia o amor com a mesma verdade que semeia o chão. E como ela bem dizia: “O tempo não cicatriza feridas. Ele apenas alivia a dor e embaça a memória”. E eu digo, embaça a memória, mas não embaça as paixões.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Minha Arte Naïf

Imprimir pinceladas ou, nesse caso, rabiscos ingênuos só pode melhorar nosso dia-a-dia. Por isso rabisco coisinhas que não é arte, mas é naïf.


Arthur Cravan Was A Flor Fina - Pascal Comelade
Traffic d'Abstraction - 1997

domingo, 14 de novembro de 2010

Saudade


"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."
Clarice Lispector
In: Aprendendo a viver 
Imagem: Web

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Chihiro e a metáfora dos porcos


Noto como os principais meios de comunicação, todos os dias incutem em nossas mentes que não podemos sentir tristeza ou dor. É preciso ser feliz sempre, estar sempre satisfeito, mesmo que essa satisfação seja à custa do cartão de crédito, pois comprar é a ordem da vez. Precisamos ter em casa – mesmo que não haja condições financeiras – toda a parafernália tecnológica tão útil quanto inútil e toda a moda que é lançada na última semana. Em filmes norte-americanos (principalmente os filmes para adolescentes) ouço com muita recorrência o termo loser, que se refere aquela pessoa que não atingiu a meta. Este é o “perdedor”, que não realizou, à risca, o ideal pré-estabelecido por uma sociedade que consome cegamente. O loser sempre será mal-visto entre os demais, pois ele não faz parte desse grupo.

No filme de animação japonesa “A Viagem de Chihiro” – (2001) há uma passagem que ilustra muito bem essa ânsia de consumo imediato. É quando os pais da menina Chihiro encontram pelo caminho um restaurante com refeições apetitosas e ambos – enfeitiçados pelo aroma e aspecto da comida – mesmo sem fome sentam-se ao balcão e comem tudo que surge à frente. A princípio, com muita euforia, sentem o sabor, mas em seguida apenas engolem e comem com tanta voracidade que se transformam em porcos.

 Essa, dentre várias no filme, é uma metáfora muito forte para o que acontece conosco diante de toda a atraente ideia de que consumir é a solução instantânea para nossos problemas. A nós não é permitido um pouco de tristeza, desencanto ou momentos de introspecção, pois sempre surge alguém ou a TV para oferecer a pílula da felicidade (“O meu cartão de crédito é uma navalha”).

Até sinto, com muita pena, que tenho atitudes parecidas com a dos pais de Chihiro, porém, antes de TER felicidade eu quero é SER feliz... e sempre que eu quiser ou precisar quero ser triste, pelo tempo necessário, porque não é feio sentir tristeza e é bom ser inteiro na felicidade e também na tristeza.

“Coisas são só coisas, servem só pra tropeçar, têm seu brilho no começo, mas se viro pelo avesso são fardo pra carregar.”
Chico César 

E quanto ao filme, eu recomendo com veemência: 


terça-feira, 9 de novembro de 2010

Pensar em você

Porque caiu chuva miúda que molhou a terra.
Porque o sol sorri e os pássaros cantam.
Porque é Só Pensar em Você!

Pensar em você - Chico César

domingo, 7 de novembro de 2010

Os meus, os seus, os nossos gatos

 
Gateiro é gateiro, e só quem é gateiro entende outro gateiro. Impressionante a cumplicidade que esses serezinhos peludos e manhosos geram entre as pessoas. E, quando a gente menos espera, lá vem um conhecido que também é apaixonado por esses bichanos assumir a cumplicidade. E olha, nem muita coisa precisa ser dita: logo sabemos que aquela pessoa é do bem. Os amantes dos gatos não têm sede própria, nem encontros programados. Apenas compartilham de alguns segredos que só quem é gateiro consegue identificar. Mas também não são exibidos. Seus gatos são de casa e, por ser assim, é difícil expor as habilidades felinas mundo afora. Então, como um código universal, acabamos entendendo em simples conversas intimistas os significados dos milhares de tons de ronronados e miados que nossos alvos de adoração emitem. 

Mas eu também acredito piamente que, ao contrário da relação com os cães, em que o ser humano é o superior, quem está no topo da pirâmide são os gatos - são eles que dominam de longe os seus donos e acabam fazendo com que se cruzem. Eles, sim, sabem dos códigos e dos mistérios da vida e acabam escolhendo os membros ou os privilegiados que podem desfrutar de alguns poucos de seus segredos e, de uma forma singular, tramam as teias e conduzem um gateiro à via de outro gateiro.

Texto gentilmente compartilhado por Luiz Neves de Castro do blog Egrégora: Carrancas Literárias. Obrigada, Luiz!

Fonte: Revista ALMANAQUE GATOS & RAÇAS 2010, da ON LINE EDITORA.

Imagem: Web

terça-feira, 2 de novembro de 2010

As flores de O'Keeffe

Conheci uma pintora de talento e sensibilidade: Georgia O’Keeffe. Tomei conhecimento  de sua obra através do filme “Vida e Arte de Georgia O’Keeffe” – 2009, realizado por Bob Balaban para a TV norte-americana. Não, o filme não é bom, ao menos não é dos meus preferidos, mas fui feliz por saber dessa artista  forte, talentosa e sensível. 

O’Keeffe passeou da arte figurativa à abstrata e imprimiu em suas telas os mais variados motivos: cidades, paisagens e, principalmente, flores. E foram as flores, com cores ora suaves ora berrantes, demonstrando sensualidade e feminilidade à flor da pele, que me deixaram encantada. Mas não cometerei o pecado de ficar tagarelando sobre o que não precisar ser falado e, sim, visto e apreciado.

Aqui fica algumas das flores de O’Keeffe:



  




















Para ver mais flores e outros quadros de O'Keeffe clique aqui