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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Malas prontas para 2012


Um ano inteiro é tanto mar - são tormentas e calmarias - mas estou disposta a velejar e inaugurar novas águas. Já tenho as malas, o corpo e a alma prontos para navegar em 2012.

Das promessas realizáveis para 2011, que registrei >>aqui<<, cumpri todas. Faltou revisitar, cuidadosamente, as veredas do "Grande Sertão", mas não tenho pressa.

Para 2012 não prometo nada, quero apenas flanar por águas límpidas e acolhedoras. Os planos serão feitos conforme o movimento da maré.

Desejo a todos um Bom Ano e Dias Felizes!

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: 
"Navegar é preciso; viver não é preciso".

Quero para mim o espírito [d]esta frase, 
transformada a forma para a casar como eu sou:

Viver não é necessário; o que é necessário é criar. 
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. 
Só quero torná-la grande, 
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo
e a (minha alma) a lenha desse fogo.


Fernando Pessoa


sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Enfeites de Natal

Este gato não é de araque,
é de copo de conhaque,
e o malandro cacholinho
fica olhando de fininho
para ver se a dona chega
e acaba com a bagunça.
Enquanto a dona não vem,
os dois fazem seu Natal
entre bolas, contas, flores,
pois neste mundo, afinal,
os dois bichinhos de truz,
como as damas e os senhores,
são filhinhos de Jesus.

Carlos Drummond de Andrade
In: Poesia Errante - 1988

Feliz Natal a todos!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O Monge e o Peixe



Por vezes, é mais prudente não fisgar o peixe. Deixá-lo fluir continuamente pode ser a melhor resposta.



Animação: Michael Dudok de Wit (1994)

domingo, 18 de dezembro de 2011

Dificuldade de Expressão


"A dificuldade de encontrar, para poder exprimir, aquilo que no entanto está ali, dá uma impressão de cegueira. É quando, então, se pede um café. Não é que o café ajude a encontrar a palavra mas representa um ato histérico-libertador, isto é, um ato gratuito que liberta."

Clarice Lispector
In: Aprendendo a Viver.

Imagem: Web

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Photoblog - Imagens são Palavras que nos Faltam


Há dois meses eu criei um blog para publicar minhas fotografias, ontem concluí as postagens e hoje venho agradecer as visitas e os comentários incentivadores que venho recebendo.

Mesmo que um dia eu venha a ser profissional, nunca deixarei de ser amadora, pois sempre terei muito o que aprender e para sempre me dedicarei à fotografia com o zelo de uma apaixonada.

Reforço o convite e partilho o link a quem interessar:





Luz e Paz, sempre!

sábado, 10 de dezembro de 2011

A Noite dos Palhaços Mudos

Os palhaços e os poetas sempre foram, cada um a seu modo, porta-vozes do povo e como tal sempre foram marginalizados e perseguidos por "falar demais". Cerca de dois anos atrás eu tive a oportunidade de assistir o espetáculo, do Grupo La Mínima, "A Noite dos Palhaços Mudos", uma adaptação da história em quadrinhos, de mesmo nome, do cartunista Laerte, que conta a história de dois palhaços que não falam, mas que de mudos não têm nada.

Na tentativa de banir todos os palhaços do país, membros de uma seita reúnem-se numa grande palestra e, num discurso com uma visão de mundo caquética e limitada, procuram convencer a todos que os palhaços só podem ser uma grande ameaça para a sociedade.


Numa noite de caça, um dos palhaços, livrando-se da execução, tem o nariz cortado. Não conformado com a desfeita, sai em busca do seu nariz. Assim, com sua linguagem clownesca, os Palhaços Mudos se rebelam da perseguição e apesar de não emitirem uma palavra sequer, dizem muito e, além de risadas (e eu ri feito criança), provocam no público reflexões, sobre situações nas quais devemos, ou NÃO, calar.


Hoje é Dia do Palhaço e esta é minha singela homenagem a estes artistas que, em geral, trabalham na corda bamba, e mesmo mudos nunca calam, e ainda que haja dor nunca deixam de nos fazer sorrir. 


Meus aplausos a todos os palhaços!


Clique na ilustração para ver na íntegra a HQ de Laerte.


Clique > aqui < para ver algumas cenas do espetáculo.



domingo, 4 de dezembro de 2011

Passarinho me leve












Êêê... Passarinho me leve com você
Preciso conhecer essas cores que pintam a tarde em paz
Refazendo a alegria perdida nesses quintais.

Êêê... Passarinho me leve com você
Preciso entender essas coisas que contam meu violão
É tão forte o que eu sinto, é maior que a amplidão.




Passarinho me Leve - Flávia Wenceslau

Imagem: Web

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Tecer é Viver II - O resultado



Há 2 semanas falei >>>aqui<<< sobre meu novo encantamento - o tricô. Mostrei o monstrinho com sérias intenções de ser um cachecol e hoje trago o resultado.


Estou toda orgulhosa pois, para 1ª experiência, parece que ficou tudo nos conformes, e agora já tenho minha primeira peça feita integralmente por mim. Estou começando nova peça e não pretendo parar.

Alguma encomenda?

=)




Imagem 1: Web
Imagem 2: Margot Félix

sábado, 26 de novembro de 2011

Rotação


É nos teus olhos que o mundo inteiro cabe,
mesmo quando as suas voltas me levam para longe de ti;
e se outras voltas me fazem ver nos teus
os meus olhos, não é porque o mundo parou, mas
porque esse breve olhar nos fez imaginar que
só nós é que o fazemos andar.

Nuno Júdice 
In: Pedro, Lembrando Inês - 2002


Imagem: Web

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

8 ditos populares e 1 aforismo sobre Gatos

Gato escaldado de água fria tem medo. À noite todos os gatos são pardos. Gato escondido rabo de fora. A curiosidade matou o gatoQuando está fora o gato folga o rato. Gato miador não é bom caçador. Um olho no prato, outro no gatoQuem não tem cão caça com gato.

"Nossa indolência em vão tenta imitar a indolência elegante do gato."

Carlos Drummond de Andrade 
In: O avesso das Coisas






domingo, 20 de novembro de 2011

O homem das rosas



Porque todos os dias temos diversas razões para descrer e mesmo desistir do ser humano, e porque a gente sabe que se descrer ou desistir de vez dos nossos semelhantes aí é que a vida perderá mesmo o sentido, por causa disto é que torno público o que uma amiga minha e leitora dessas crônicas, lá nos Estados Unidos, me narrou. Ela é uma médica brasileira que há mais de vinte anos vive em Iowa, um estado no meio-oeste norte-americano no qual, por coincidência, também vivi. Portanto, quando Monica Hanson me escreveu o que aqui vou cronicando, fui-me sentindo na paisagem interiorana daquele estado cheio de fazendas de milho e vi alguns bons sentimentos florescerem em mim.

É que os jornais lá publicaram um fato real revelando o lindo, simples e raro segredo de um cidadão que acabara de morrer. Todo dia, a toda hora está morrendo gente. E nem por isto suas vidas vão para os jornais. Todos nós guardamos segredos. Alguns são egoístas e inconfessáveis. Mas aquele homem tinha um segredo. Ele era “o homem das rosas”.

E ela é quem conta: “Quando ele andava nos lugares (barbearia, igreja, restaurante, supermercado) e escutava histórias de alguém que estava passando uma hora difícil, por doença, perda de alguém, de emprego, etc., etc., anonimamente, ele enviava uma rosa para a pessoa. Ao morrer, havia enviado, se não me falha a memória, seis mil rosas! E tinha um pacto com a florista da cidade para ela não divulgar o seu nome, um segredo que ela guardou (não é um tesouro isso??) até que a mulher do homem resolveu contar a história no dia do seu enterro. A última rosa que ele enviou foi para a sua mulher. Disse que para ela reservava a rosa mais bela! Não é de arrepiar?”

Sim, e também de se invejar.

Isto posto, ela ainda acrescenta que na cidade de Iowa há um outro indivíduo anônimo que todo ano decora três pinheiros que ficam à margem de uma estrada conhecida. Em pleno Natal, de repente, há aquela manifestação de luzes em meio à neve. E para incentivar gestos parecidos o jornal da cidade tem um espaço para noticiar coisas que pessoas fazem espontaneamente em favor de outros e da comunidade.

Quer dizer, nem tudo está perdido.

Sei que as pessoas andam muito assustadas e não interferem para socorrer o outro nem quando este foi assaltado ou atropelado. É como se todos já estivéssemos também tão atropelados e assaltados que não agüentássemos ver ou socorrer vítimas.

Mas enquanto houver uma pessoa que mande, desinteressadamente e anonimamente, uma rosa para alguém que dela necessite ou a mereça, ainda haverá esperança de que nem tudo secou em nós.

Sei que alguém pode resmungar, “mas que coisa mais piegas!”. Talvez seja. Mas também é verdade que a aspereza de nossas vidas fez com que embotássemos os sentidos, que tivéssemos vergonha de nossos sentimentos e emoções. E, no entanto, oferecer uma rosa seria tão simples. Tão simples e urgentemente necessário.

Affonso Romano de Sant'Anna
In: Tempo de Delicadeza

Imagem: Web

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Tecer é viver



Eu nem esperava aprender algo ainda esse ano, até que domingo passado recebi uma visita inesperada de tias e prima... e algo aconteceu. A prima é habilidosa com trabalhos manuais e trouxe consigo uma peça de tricô que ela está fazendo. Senti vontade de saber o que é o tricô e como se faz, então pedi uma aulinha intensiva. Pacientemente, ela me explicou todos os nós e laçadas, depois me entregou as agulhas. Fiquei aflita, deixei as agulhas caírem, mas entre uma laçada e outra fui tomando gosto. No dia seguinte fui numa loja de aviamentos, comprei agulha e lã e vim para casa praticar minha nova invenção.

 Esta é minha primeira peça:


Por enquanto é um monstrinho sem forma, com pretensão de ser um cachecol quentinho. Certo, aqui o sol está rachando, mas tenho meus motivos.  =D

Não sou novata em trabalhos manuais, faço um bordado chamado vagonite, mas eu queria mesmo era sentir que estou tecendo uma peça que poderá servir de vestuário e o tricô tem essa função.

Para mim, tecer uma peça me remete a um tempo em que as pessoas faziam suas próprias roupas e sabiam a procedência do que usavam. Comprar tudo pronto anula a criatividade e sem esperar nos vemos adornados com roupas, e falas, e pensamentos formatados, como se fôssemos robôs.

Tecer é entregar um pouquinho de si a cada laçada. Tecer é viver!


sábado, 12 de novembro de 2011

Som da Índia

[...]


Por um momento, o universo, a vida
podem ser apenas este pequeno som 
enigmático


entre a noite imóvel
e o nosso ouvido.


Cecília Meireles
In: Poemas escritos na Índia

terça-feira, 8 de novembro de 2011

As lânguidas mulheres de Ikenaga Yasunari (e um gato)


Estou hipnotizada por estas pinturas feitas pelo artista plástico contemporâneo, japonês de 46 anos, Ikenaga Yasunari.


Seu trabalho, feito com pigmentos aquareláveis em telas de linho, retratam mulheres orientais em poses aparentemente displicentes, mas com um quê sutil de sensualidade e elegância, algo que nos remete de imediato às conhecidas imagens das graciosas gueixas. Repare em seus olhares lânguidos e nos movimentos sugeridos por seus braços e mãos. Um encanto!

E para completar minha hipnose, ainda tem um lindo gatinho em sua pose felinamente descansada e não menos elegante. ^^


Clique >aqui< para ver essas e outras pinturas no site oficial do pintor.

domingo, 6 de novembro de 2011

Perguntas e respostas para um caderno escolar

- Qual a coisa mais antiga do mundo?
- Poderia dizer que é Deus que sempre existiu.
- Qual é a coisa mais bela?
- O instante de inspiração.
- E Deus quando criou o Universo não o fez no momento de Sua maior inspiração?
- O Universo sempre existiu. O cosmos é Deus.
- Qual das coisas é maior?
- O amor, que é o mundo dos mistérios.
- Das coisas qual é a mais constante?
- O medo. Que pena que não possa responder: é a esperança.
- Qual o melhor dos sentimentos?
- O de amar e ao mesmo tempo ser amada, o que parece apenas um lugar-comum mas é uma de minhas verdades.
- Qual é o sentimento mais rápido?
- O sentimento mais rápido, que chega a ser apenas um fulgor, é o instante em que um homem e uma mulher sentem um no outro a promessa de um grande amor.
- Qual é a mais forte das coisas?
- O instinto de ser.
- O que é mais fácil de se fazer?
- Existir, depois que passa o medo.
- Qual a coisa mais difícil de realizar?
- A própria relativa felicidade que vem do conhecimento de si mesmo.

[...]


Clarice Lispector
In: Aprendendo a Viver 







quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Minha Arte Naïf #2


A arte naïf, em linhas gerais, é uma arte feita com traços despojados, livre de exigências e formalidades acadêmicas e que se assemelha a desenhos infantis.






Ron-Ron do gatinho
 - Adriana Partimpim (2004)


Tenho plena consciência que meu desenho não é arte, mas é Naïf (ingênuo). Necessito disso para trazer leveza para meus dias!
Faça arte naïf! ;)

Minha Arte Naïf #1
com Pascal Comelade
>>> Aqui

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Maneira de Amar


Minha singela homenagem ao aniversário do querido 
Carlos Drummond de Andrade. 



O jardineiro conversava com as flores, e elas se habituaram ao diálogo. Passava manhãs contando coisas a uma cravina ou escutando o que lhe confiava o gerânio. O girassol não ia muito com sua cara, ou porque não fosse homem bonito, ou porque os girassóis são orgulhosos de natureza.

Em vão o jardineiro tentava captar-lhes as graças, pois o girassol chegava a voltar-se contra a luz para não ver o rosto que lhe sorria. Era uma situação bastante embaraçosa, que as outras flores não comentavam. Nunca, entretanto, o jardineiro deixou de regar o pé de girassol e renovar-lhe a terra, na ocasião devida.

O dono do jardim achou que seu empregado perdia muito tempo parado diante dos canteiros, aparentemente não fazendo coisa alguma. E mandou-o embora, depois de assinar a carteira de trabalho.

Depois que o jardineiro saiu, as flores ficaram tristes e censuravam-se porque não tinham induzido o girassol a mudar de atitude. A mais triste de todas era o girassol, que não se conformava com a ausência do homem. "Você o tratava mal, agora está arrependido? "Não, respondeu, estou triste porque agora não posso tratá-lo mal. É a minha maneira de amar, ele sabia disso, e gostava."



Carlos Drummond de Andrade
In: Contos Plausíveis - 1981



*

É bom lembrar que hoje também é o dia do Saci Pererê.
Viva o Saci!!! (o Saci é nosso!)


sábado, 29 de outubro de 2011

Anjos na Biblioteca


O escritor argentino, Jorge Luis Borges, disse: "Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria." Para mim também pode ser uma biblioteca. Ter livros por perto traz sempre a sensação de poder viajar e trilhar por caminhos iluminados. E quem melhor para iluminar nossos caminhos do que os Anjos?

Hoje é o dia do livro, por isso selecionei uma cena de um dos filmes mais bonitos e sensíveis que já vi – “Asas do Desejo” (1987) do realizador Wim Wenders. A cena se passa numa biblioteca, onde as pessoas estão lendo e estudando sem saberem que são observadas por anjos que os guardam.




Você já viu Anjos na biblioteca?



sábado, 22 de outubro de 2011

If...


E até hoje não me esqueci
Do Anjo da Anunciação no quadro de Botticelli:
Como pode alguém
Apresentar-se ao mesmo tempo tão humilde e cheio
                                                        [de tamanha dignidade?
Oh! tão soberanamente inclinado...
Se pudéssemos ser como ele!
Os Anjos dão tudo de si
Sem jamais se despirem de nada.


Mario Quintana
In: Apontamentos de História Sobrenatural

Imagem: Sandro Botticelli - Annunciazione - 1485



terça-feira, 18 de outubro de 2011

Imagens são Palavras que nos Faltam (FotoBlog)

Foi em 2010 que eu tive o "click" e fiz minha primeira fotografia pensando no resultado que eu gostaria de obter.  Claro que eu não tinha nenhuma noção técnica, mas eu sabia o que queria e fiz.

A foto é esta:


Desde então, sempre faço experiências na tentativa de acertar, algumas resultam outras nem tanto. O equipamento é simples, as técnicas são básicas, mas o desejo de aprender e evoluir é o que me move!

*

Olá,

Este é um trecho do texto de Apresentação do blog que criei para publicar minhas fotografias - "Imagens são Palavras que nos faltam". Gostaria de convidá-los a fazer uma visita. Será uma honra recebê-los. 



PS: Continuarei postando no "Compartimento Secreto". O novo blog será apenas para as fotos. Espero vocês por lá!


domingo, 16 de outubro de 2011

Alice e a Lagarta



A Lagarta e Alice olharam-se por algum tempo em silêncio. Por fim, a Lagarta tirou o narguilé da boca e dirigiu-se a Alice com uma voz lânguida e sonolenta. "Quem é você?", disse a Lagarta. Não era um começo de conversa muito estimulante. Alice respondeu um pouco tímida: "Eu... eu... no momento não sei, minha senhora... pelo menos sei quem eu era quando me levantei hoje de manhã, mas acho que devo ter mudado várias vezes desde então".


Lewis Carroll
In: Alice no País das Maravilhas

Ilustração: John Tenniel

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O Pequeno Nicolau


“É no plano do devaneio, e não no plano dos fatos, que a infância permanece em nós viva e poeticamente útil. Por essa infância permanente preservamos a poesia do passado.”

Gaston Bachelard
In: A Poética do Espaço


Já falei que gosto de leveza? Foi isso que encontrei no divertido (e leeeve) filme "O Pequeno Nicolau" (2010) - de Laurent Tirard - inspirado numa história em quadrinhos, dos anos 1950, de mesmo nome.

Nicolau é filho único, tem uma vida confortável e feliz. Estuda numa escola para meninos e nas horas vagas, junto com a turma, pinta o sete e desenha o oito - apronta de tudo e mais um pouco. Tudo corre bem, até o dia que ele descobre que a mãe está grávida e por informações desencontradas dos amigos que já têm irmãos e detalhes do conto de fadas que ouviu na aula, Nicolau entende que será abandonado na floresta quando o irmão nascer. A partir daí ele e a turma criam um plano para resolver a questão.  E a história se desenvolve num ritmo de diversão e toda sorte de aventura. 
Os personagens são cativantes e as atuações são encantadoras, principalmente quando penso que a maior parte do elenco é de criança e não de atores profissionais. Para alguns pode parecer clichê ou água-com-açúcar, mas talvez esse seja todo o encanto desse filme, que eu achei impecável!


É impossível não identificarmos num dos meninos alguns daqueles colegas de escola que pareciam um personagem de história em quadrinhos. Por isso, hoje vou revê-lo, sabendo que vou rir (chorar de rir) e recordar de coisas que também vivi na minha infância.   




Se é Dia das Crianças então vamos dar uma revirada dentro de nós e buscar qualquer vestígio da criança que fomos um dia. Um pouquinho de pureza e espontaneidade, eu garanto, não faz mal a ninguém. 



sábado, 8 de outubro de 2011

Artefato nipônico




A borboleta pousada
ou é Deus
ou é nada.




Adélia Prado
In: A faca no peito - 1988
(Por causa da beleza do mundo)

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O simples resolve tudo


"Somos todos irmãos da lua
Moramos na mesma rua
Bebemos do mesmo copo
A mesma bebida crua
O caminho já não é novo
Por ele é que passa o povo
Farinha do mesmo saco
Galinha do mesmo ovo
Mas nada é melhor que a água
E a terra é a mãe de todos
O ar é que toca o homem
E o homem maneja o fogo
E o homem possui a fala
E a fala edifica o canto
E o canto repousa a alma
Da alma depende a calma
E a calma é irmã do simples


E o simples resolve tudo
Mas tudo na vida às vezes
Consiste em não se ter nada."



Irmãos da Lua - Renato Teixeira (1995)

Saudações Franciscanas!
Paz e Bem!


Imagem: Jill - 2011

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Shhh! Silêncio, por favor!

Ontem estive a tarde inteira sozinha em casa e tive um susto. De repente - sem aviso - eu senti o silêncio. Ouvi o silêncio.

Uma qualidade de silêncio que só recordo de ter sentido, na minha infância, em casa da minha avó, num lugar que não havia luz elétrica e assim, as caixinhas de fazer barulho - televisão, rádio, computadores - não faziam parte daquele ambiente. Por isso eu digo que a qualidade do silêncio era outra. Para mim, aquilo era silêncio puro. Ouvir o cacarejo de uma galinha, o chocalho da vaquinha a pastar, o rápido rastejar de uma lagartixa fugindo do gato, a manga que caía sobre as folhas secas no chão, o grito de um menino ao longe. Barulhinhos naturais que compunham um silêncio precioso. Hoje isso tudo é tão raro.

O silêncio de ontem me arremessou a essas memórias. O tempo havia parado, nada (ou tudo) acontecia lá fora. Nenhum barulho artificial se infiltrou mais que um minuto naquela calma. E pude ouvir com imensa nitidez o pio de um pássaro. O vento coreografando a dança das árvores e outras plantas. Os gatos ressonando. A água fervendo para o café. O aroma do café. O correr dos meus dedos passando a página de um livro. Os meus pensamentos.

Não sei quanto durou esse momento taciturno, mas sei que foi suficiente para eu constatar que estou vivendo dias acelerados, passando por horas que voam e não percebo, falando coisas desnecessárias, ferindo pessoas que amo, olhando ao meu redor sem pousar os olhos com o devido cuidado e me sentindo ferida por estes atropelos. 

Mas eu sei que o silêncio das coisas, o silêncio das pessoas - o Silêncio - só é sentido em momentos de suavidade e desapego. Por isso vou passar uns dias guardada em meu silêncio e refletir com calma sobre minhas atitudes (às vezes descuidadas e às vezes impertinentes, incoerentes ou equivocadas). Não estou mal, não estou doente - é tão somente um passeio, uma pequena viagem por dentro de mim, mas volto logo. 




"Se queres ouvir a Deus, presta bem atenção: Ele gosta de falar muito baixo"
Vladimir Ghika

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

As flores de Séraphine de Selins


Para não dizer que não falei das flores... e das folhas, trago - para celebrar a chegada da estação mais colorida do ano - a arte naïf da pintora francesa - Séraphine de Selins (1864/1942).


Para mim, Séraphine de Selins era desconhecida até quando eu vi o filme "Séraphine" (2008), do realizador Martin Provost. Tive uma feliz surpresa, pois o filme que fala de uma artista, não se basta nisto, é também um trabalho de arte com fotografia apurada, roteiro que cativa e atuações brilhantes - destacando a Yolande Moreau (Séraphine).

Séraphine era uma mulher simples, que andava com pés descalços, abraçava árvores, banhava-se nos rios semi-nua - amava a natureza. No vilarejo onde vivia era vista como uma louca. Até o dia em que foi trabalhar, fazendo faxinas, na casa do marchand e crítico de arte Wilhelm Uhde, e este encontrou em seus pertences um pequeno quadro que Séraphine havia pintado com tintas e pincéis que ela mesma confeccionava. Logo Wilhem percebeu o talento daquela mulher silenciosa, mas também vibrante, e passou a incentivar sua arte e vender seus quadros. Mas sua carreira, que começou tarde, também terminou rápido, pois após sua primeira exposição - que foi um grande sucesso - Wilhem deixou de comprar seus quadros, devido aos conflitos causados pela 1ª Guerra Mundial. Com isso, a loucura de Séraphine se agravou e ficando internada numa clínica psiquiátrica onde esteve até o dia de sua morte.

Os quadros de Séraphine de Selins representam exuberantes bouquets de flores com folhas que se sobressaem como se pudéssemos tocá-las por parecer que são vivas e pulsantes. E são com essas flores que pretendo iniciar minha Primavera!

Uma linda Primavera a todos!

A quem interessar, o trailer do filme> aqui!












domingo, 18 de setembro de 2011

Um pombo, cem escudos e um livro

"Quando chegaram a casa, Adelaide teve de abrir os dedos um a um. Cada dedo retomava a sua forma, renascia. Depois, com delicadeza, desdobrou o pequeno papel, estava humedecido pelo suor da palma da mão. Com caligrafia perfeita:



Ilídio. Ela temia o que desejava. Tentou distinguir um cheiro por baixo do suor que repassava o papel. O amor, ela sempre sonhara com essa palavra, essa ideia. Agora podia começar a vivê-la. Escondeu o papel no louceiro."

José Luís Peixoto
In: Livro - 2010



quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Qual é mesmo o dia do Frevo?

Acho curioso que hoje, dia 14/09, seja comemorado o dia do Frevo. Mas ainda fico na dúvida sobre a data oficial, pois como o próprio título do DVD do eterno brincante - Antonio Nóbrega  - indica, o dia do frevo é em 9 de Fevereiro, aliás... de Frevereiro.


Sendo cá em Setembro ou sendo lá em Fevereiro, para mim é sempre instigante apreciar um frevo bem tocando e divinamente bem dançado. Por isso:

♪♫Vinde Vinde
Moços e Velhos
Vinde todos, apreciar.
Como isso é bom
Como isso é belo
Como isso é bom
É bom demais!

Olhai, olhai admirai
Como isso é bom
É bom demais!♪♫


 
 
  O vídeo veio daqui > Egrégora: Carrancas Literárias