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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Arte de Amar


Acabo de ler o livro “Arte de Amar” do poeta romano Ovídio, mas fiquei com leve amargo na boca.
 
Trata-se de um grande poema dividido em 3 livros com conselhos dirigidos para homens e mulheres, mas essencialmente aos homens, aprenderem a técnica de seduzir e, se possível, fazer perdurar o amor.
 
Compreendo que a época e a sociedade em que Ovídio viveu eram muito diferentes da nossa. Até ressalto que há passagens bem atuais – há conselhos que considero válidos. No entanto, rapidamente me apercebi que este texto não é nada favorável às mulheres. Mas não quero enveredar por assuntos feministas. Afinal, segundo dizem, em sua época Ovídio era um dos poetas mais atentos aos sentimentos e “direitos” da mulher.
 
O sabor amargo é por perceber que o amor que ali é tratado não é o amor romântico do qual estamos acostumados a lidar, da melhor ou da pior forma, nos dias atuais. Embora eu bem soubesse que o amor que hoje conhecemos é oriundo de um tempo mais recente, admito que fui incauta por pensar que ali eu encontraria alguma docilidade, apesar de haver algumas vênias que lembram, lá longe, o estilo do amor romântico.
 
A meu ver, a riqueza deste poema não reside exatamente na sua intenção de aconselhar (didática), mas na composição (estética), na frequente citação de personagens mitológicos e, sobretudo, no que podemos saber dos usos e costumes da Antiguidade.
 
E eu pergunto, existirá receita para a arte de bem-amar ou “Amar se aprende amando”?


Imagem: Idylle - William-Adolphe Bouguereau

4 comentários:

  1. Crisiane Vieira25/01/2011 18:08

    Belo texto, Margô. Mas fiquei com uma outra pergunta na caixola: se aprende a amar?

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  2. Bom, eu acho difícil uma receita para amar, pois cada pessoa tem uma maneira própria de amar, e também a forma como gosta de ser amado. Eu acho que se aprende a amar na medida em que aprendemos o que é o amor..

    Boa reflexão.

    Um ótimo dia!

    Beijos,

    Andréa Silveira.

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  3. Oi, Margot, encontrei alguém que já leu este livro também! Nem acredito rs. Realmente o título dá uma impressão de se tratar do amor romântico, mas o que Ovídio ensina é a arte da sedução, cauculada, habilidosa...Fiquei impressionada como em alguns momentos ele consegue ser tão atual, mas é lógico que sempre irá predominar a visão de gênero da época. Quando terminei de ler, fiquei com uma sensação diferente da que eu tinha com relação a este escritor, mais próxima, mais íntima e não só a de ser aquela fonte inesgotável de conhecimentos mitológicos, aquele sábio inacessível, mas uma figura agradável, com quem se poderia bater longos papos sobre a vida, o comportamento das pessoas, o cotidiano...Enfim, acho que não se ensina a amar, mas para a sedução existem muitos truques, que mudam de acordo com o tempo e a cultura local, sem dúvida! Beijos.

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  4. Acho ate que exiatem receitas sim, mas sao individuais, unicas, particulares de cada ser...
    Eu ainda nao escrevi a minha.... expectativas....

    Beijosss

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