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sábado, 26 de março de 2011

A Palavra Mágica


Certa palavra dorme na sombra
de um livro raro
Como desencantá-la?
É a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.

Vou procurá-la a vida inteira

no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro,
não desanimo,
procuro sempre.

Procuro sempre, e minha procura

ficará sendo
minha palavra.

Carlos Drummond de Andrade
In: Discurso de Primavera e Algumas Sombras - 1977

Ilustração: Web

terça-feira, 22 de março de 2011

"Encontros e Desencontros" e um sussurro no final


No cinema, um dos elementos que mais me agradam, depois da fotografia, é o silêncio. Em seu princípio o cinema era mudo e talvez por isso fosse muito mais expressivo do que a verborragia que vemos em alguns filmes atualmente.

O filme da realizadora Sofia Coppola, “Encontros e Desencontros” (2003), é daqueles em que há pouco diálogo - diálogos essenciais. Até parece absurdo que uma história passada em meio ao caos de uma cidade caótica como Tóquio possa ser tão silenciosa. Lembro que ao assistir fiquei muito quieta e calada, para aproveitar a satisfação de ter visto um filme taciturno e que tanto dizia. 

Procurei uma palavra para definir a cena final; a cena do sussurro, em que nós, expectadores, não temos a permissão de ouvir o que foi dito. No entanto, foram nas linhas de Clarice Lispector, em “A Hora da Estrela”, que encontrei as palavras que, de alguma forma, revelam o sentimento da cena do sussurro:



“Os fatos são sonoros, mas entre os fatos há um sussurro. É o sussurro o que me impressiona.”


Esta história de encontros, desencontros, estranhezas e solidão me impressiona, especialmente, pelo silêncio e pelo sussurro que, entre os personagens, tecem laços de afinidade. E aos expectadores é permitido experimentar as sutilezas da palavra não dita.


Para ver a cena do sussurro que, na minha opinião, é uma das mais lindas do cinema, clique aqui.

quinta-feira, 17 de março de 2011

sexta-feira, 4 de março de 2011

Carrossel do Destino


Deixo os versos que escrevi,
As cantigas que cantei,
Cinco ou seis coisas que eu sei
E um milhão que eu esqueci.
Deixo este mundo daqui,
Selva com lei de cassino;
Vou renascer num menino,
Num país além do mar...
Licença, que eu vou rodar
No carrossel do destino.

Enquanto eu puder viver
Tudo o que o coração sente,
O tempo estará presente
Passando sem resistir.
Na hora que eu for partir
Para as nuvens do divino,
Que a viola seja o sino
Tocando pra me guiar...
Licença, que eu vou rodar
No carrossel do destino.

Romances e epopéias
Me pedindo pra brotar
E eu tangendo devagar
A boiada das idéias.
Sempre em busca das colméias
Onde brota o mel mais fino,
E um só verso, pequenino,
Mas que mereça ficar...
Licença, que eu vou rodar
No carrossel do destino.

Carrossel do Destino - Antonio Nóbrega
(Composição: A. Nóbrega e Braulio Tavares)
Lunário Perpétuo - 2002

Imagem: Web

terça-feira, 1 de março de 2011

Entre a Folia e o Zen – Carnaval ou Nova Consciência?


Nunca fui afeita à multidão, tampouco à folia de Carnaval, mas nessa época minha porção voyeur vem à tona. Sinto fascínio especial pelo Carnaval pernambucano, então acompanho pela TV e muito me agrada perceber que nesses dias qualquer pessoa do povo pode ser Rei ou Palhaço. As fantasias guardadas no íntimo de cada folião se estampam na cara e os medos e recalques são “jogados num pano de guardar confetes”. Por tudo isso uma parte de mim vibra com vontade de me integrar à folia, e a outra parte se acalma e prefere apenas observar.


Enquanto a maioria embarca na “nau dos loucos”, uma minori- opta por viajar na nave da “Nova Consciência”, e é nessa nave que viajo todos os anos no período de Carnaval. O Encontro da Nova Consciência - que este ano completa 20 anos – é um evento macro -ecumênico que abraça a diversidade de pensamento, de credo e culturas, abordando em palestras e mesas-redondas toda sorte de temas voltados para o bem-comum. Além dos eventos paralelos, como shows musicais, exibição de curtas, exposição de artes plásticas, feira esotérica, artesanatos e afins. 

Falar desse evento é falar de um pedacinho da minha história e de vivências que, para mim, são ricas e que levarei comigo por toda a vida. Porém, esse ano – excepcionalmente – eu não participarei integralmente do encontro, pois como tudo tem seu dia, chegou minha vez de saber o que é o carnaval recifense. Serei Rainha somente por 1 dia, mas valerá por todos aqueles em que estive somente a observar. E depois da folia e do clima zen do ENC, sairei do ar por uns dias para cuidar do corpo, da mente... e do coração. Namastê!

Encontro da Nova Consciência - Programação e Informações clique aqui