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quarta-feira, 27 de abril de 2011

Ainda sobre o Aedes Aegypti

No início desse mês eu escrevi um post fazendo um breve relato sobre os dias em que passei com dengue. Desde então essa postagem recebeu mais de 600 visitas, sempre através de palavras-chave ou perguntas sobre sintomas e dúvidas sobre o que fazer para atenuar os sintomas desagradáveis. (Ex. prurido nas mãos e nos pés).

Como não sou médica, não posso deixar orientações sobre medicamentos, mas posso dizer que procurar um hospital é a melhor alternativa. Não tente resolver o problema sozinho, pois dengue é doença séria e necessita de acompanhamento médico e muito repouso. 

Na tentativa de ajudar de alguma forma, compartilho este link para o site do Ministério da Saúde, que oferece informações importantes sobre prevenção e como tratar a doença. 

Faça sua parte! 

sábado, 16 de abril de 2011

1 ano colecionando Coisas Pequenas (1 ano de Compartimento Secreto)


Hoje faz 1 ano que eu criei o Compartimento Secreto para Coisas Pequenas. Há 1 ano eu mergulhei nessa geléia geral que é a blogosfera, e gostei!

Criei o blog porque sempre senti um anseio por colocar num só lugar tudo aquilo que gosto e me faz bem. Tudo aquilo que me toca ou que, por ventura, me incomoda. Tudo que me fascina por ser belo ou belamente feio, sim, porque no feio também reside a beleza. Talvez a poetisa Adélia Prado explique melhor o que procuro dizer:

“Sofro por causa do meu espírito de colecionador-arqueólogo. Quero pôr o bonito numa caixa com chave para abrir de vez em quando e olhar.”

Sofro, também, por saber que isto será uma espécie de trabalho de Sísifo – pois, reunir num só Compartimento toda a beleza do mundo real e imaginário será uma atividade infindável. De qualquer sorte, sendo um trabalho sofrido ou aprazível, é bom saber que a beleza do mundo não se esgota. Ainda que todos os dias a feiúra (destrutível) insista em mostrar a sua cara, o belo - com sua cara plural - aparece em forma de lirismo, poesia, música, fotografia, epifanias, sonhos, devaneios, reminiscências, utopias...

E assim, espero continuar, até onde meu tempo permitir, colecionando Coisas Pequenas, que dizem muito de mim e de todos nós.

Quero agradecer a todos os seguidores e visitantes anônimos. Aos que dispõem de alguns minutos do seu precioso tempo para ler e comentar minhas postagens. Aos amigos atenciosos do Facebook com seus comentários espirituosos e simpáticos. E deixo um agradecimento especial para Lydia Soares, Andréa Silveira e Miguel... eles sabem o porquê.

Para recordar o comecinho de tudo, deixo o link para quem interessar ver minha primeira postagem. -Alfredo, é belíssimo. Bravo, Alfredo!"

O Compartimento Secreto (não tão secreto assim) para Coisas Pequenas é uma caixa de Pandora às avessas, por esta razão, sinta-se à vontade para abri-lo quando quiser. 


Namastê!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Eu sou uma margarida. E você?


Meiga, doce e extremamente prestativa. Não restam dúvidas de que você adora estar na companhia de amigos e familiares e os ajuda sempre que precisam. De personalidade, muitas vezes, tímida, prefere não chamar a atenção por atos extravagantes. Gosta de tudo que é simples, prático e clássico. Por isso, maquiagem e roupas discretas costumam fazer parte de seu kit de beleza diário. No campo afetivo, busca um companheiro que lhe dê estabilidade. O lembrete para pessoas com personalidade de margarida é: não corra o risco de se apagar! Destaque-se; arrisque-se em fugir dos padrões de vez em quando. Não tenha medo de se aventurar. No futuro, você terá boas e alegres lembranças. 

***
Este é um teste. Não sei qual o fundamento teórico-científico-filosófico-esotérico para o seu resultado, mas vale ao menos como uma amenidade. Afinal, é sempre bom cuidar de flores. Então, clique aqui e veja que flor você é.

sábado, 9 de abril de 2011

É urgente o amor


É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.


Eugénio de Andrade
In: Poesia

Imagem: Web

terça-feira, 5 de abril de 2011

Receita para lavar palavra suja


Se, segundo o poeta gauche, "lutar com palavras é a luta mais vã", façamos a receita (à moda cabralina), da Viviane Mosé, para lavar palavra suja.

***

Mergulhar a palavra suja em água sanitária, e depois de dois dias de molho quarar ao sol do meio dia.

Algumas palavras, quando são alvejadas ao sol, adquirem consistência de certeza, como, por exemplo, a palavra vida. Existem outras, e a palavra amor é uma delas, que são muito encardidas e desgastadas pelo uso, o que recomenda esfregar e bater insistentemente na pedra e depois enxaguar em água corrente. São poucas as palavras que resistem a esses cuidados, mas sempre existem aquelas.

Dizem que limão e sal tiram sujeiras difíceis, mas toda tentativa de lavar a piedade foi sempre em vão. Eu nunca vi palavra tão suja quanto perda; perda e morte, na medida em que são alvejadas, soltam um líquido corrosivo que atende pelo nome de amargura, que é capaz de esvaziar o vigor da língua. O conselho nesse caso é mantê-las de molho num amaciante de boa qualidade.

Mas se o que você quer é só aliviar as palavras do uso diário, pode usar sabão em pó e máquina de lavar. O perigo é misturar palavras que mancham no contato umas com as outras. Culpa, por exemplo, mancha tudo que encontra, e deve sempre ser alvejada sozinha. Outra mistura pouco aconselhada é amizade e desejo. Desejo é uma palavra intensa e pode, o que não é evitável, esgarçar a força delicada da palavra amizade.

É importante não lavar demais as palavras sob o risco de perderem o sentido. Aquela sujeirinha cotidiana, quando não é excessiva, produz uma oleosidade que dá vigor aos sons.

Muito importante na arte de lavar palavras é saber reconhecer uma palavra limpa. Conviva com as palavras durante alguns dias, deixe que se misturem em seus gestos e que passeiem pela expressão de seus sentidos. À noite, permita que se deitem não ao seu lado, mas sobre o seu corpo. Enquanto você dorme a palavra plantada em sua carne prolifera em toda a sua possibilidade.

Se você puder suportar essa convivência até não mais perceber a presença dela, aí você tem uma palavra limpa.

Uma palavra limpa é uma palavra possível.



Imagem: Web

domingo, 3 de abril de 2011

O Céu


"Penso: talvez o céu seja um mar grande de água doce e talvez a gente veja as coisas ao contrário e a terra seja como um céu e quando a gente morre, quando a gente morre, talvez a gente caia e se afunde no céu. Um açude sem peixes, sem fundo, este céu. Nuvens, veios tênues. E o ar a arder por dentro, chamas quentes e abafadas na pele, invisíveis. Suspenso, como um homem cansado, ar."

José Luís Peixoto
In: Nenhum Olhar - 2000


Foto: Miguel Pessoa Vidal - Cavalos no Gelo - 2011

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O Aedes Aegypti e eu


Quando eu ouvia o Drº Drauzio Varella falando dos sintomas da dengue, eu sempre ficava preocupada - "Essa doença deve ser chatinha". E sabia que cedo ou tarde eu seria premiada com um beijo do mosquito temeroso - o Aedes Aegypti, vulgo: dengue.

O Drº tem razão, nós sentimos tudo aquilo, e mais um pouco. Dor de cabeça, dores nas juntas, dores por trás dos olhos, febre alta, calafrios, náuseas, e até aí os sintomas podem ser confundidos com uma virose (o diagnóstico preferido dos médicos plantonistas). E foi isso que a médica me falou lá no hospital: "Você tem uma virose!" Voltei para casa menos preocupada, mas 3 dias depois o pior aconteceu. Meu corpo foi tomado por manchas, minha pele inteira parecia uma maçã vermelha, com muito mas muuuito prurido, muita coceira meeesmo. Mãos e pés incharam e coçavam, coçavam sem trégua. Passei uma noite inteira acordada e sem saber  o que fazer com minhas mãos. Voltei ao hospital e a médica, enfim, caiu na real e confirmou que era dengue e não dengo, como ela chegou a dizer... "brincando" ¬¬. Ainda estou em repouso, pois essa doença ataca o fígado e é preciso ficar quietinho e beber litros e litros d'água. 

De tudo fica a lição... o ser humano é um nada e um simples mosquito detem o poder.  Brincadeiras a parte, cabe a cada um de nós tentar erradicar esse mosquito dos infernos - que pode ser fatal - e não esperar campanha do Governo. Cada um pode fazer sua parte  (e todos sabem como) e evitar sofrimento, pois é bom lembrar: quem já teve dengue não fica imune. E quem não teve não faz ideia do perrengue que é essa doença.

Sendo clichê ou não, eu digo: A maior riqueza é a saúde. E tenho dito!