Páginas

sábado, 28 de maio de 2011

Saudade

Repostando... porque convém.


"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."

Clarice Lispector
In: Aprendendo a viver 

Imagem: Web

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Let It Be


Às vezes estamos distraídos e algo ou alguém nos toma de surpresa. Ontem à noite eu já estava me preparando para dormir quando o telefone tocou, atendi e ouvi a voz do Sir Paul McCartney. Era minha irmã que estava no show de Paul, no Rio de Janeiro, e teve a delicadeza de me ligar quando ele cantou "Let it Be".

Ela ligou sem nada dizer, desligou ao final da canção e eu fiquei a chorar. Chorei por saber que ela havia lembrado de mim e, principalmente, por eu ter regressado a fita dos meus anos e recordado o tempo em que eu era Beatlemaníaca. Numa época em que não existia internet e toda música que eu queria ouvir era de LPs emprestados ou gravada em fitas cassetes, com som precário e com cortes na última música.

Lembrei também de quando a Rede Globo transmitiu, em inúmeros capítulos e tarde da noite, o documentário "The Beatles Anthology" e eu pedi a minha irmã que gravasse tudo, pois eu precisava acordar cedo para ir a escola (ela estudava à tarde). No princípio ela reclamou, mas a medida que gravava e assistia ia se "contaminando" pela mania Beatle. Ao final da exibição do documentário ela já estava mais fã do que eu. Com isso eu havia ganhado uma companheira para curtir a banda dos meninos de Liverpool.

Ouvíamos Beatles, assistíamos Beatles, comíamos Beatles, sonhávamos com os Beatles. E sempre foi um sonho nosso ver um show do integrante mais ativo depois que a banda terminou - Paul McCartney. 

Ontem ela realizou esse sonho e dividiu comigo. Eu não pude estar presente, mas ela falou: "Deixe estar que Margareth vai ouvir essa canção!"

Magnólia, obrigada por essa surpresa. E viva "The Beatles". \o/\o/

Let It Be -  John Lenon e Paul McCartney

Imagem: Web

domingo, 22 de maio de 2011

Arte do Chá

    ainda ontem
convidei um amigo
    para ficar em silêncio
comigo.

    ele veio
meio a esmo
    praticamente não disse nada
e ficou por isso mesmo.

Paulo Leminski
In: Distraídos Venceremos

Imagem: Web

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Ponyo - Uma amizade que veio do mar

Ponyo (2008) é uma peixinha-dourada que vive nas profundezas do Oceano, sonha ser uma menina e viver com os humanos. Mas seu pai, um antigo feiticeiro muito dominador, não permite que ela invista nessa aventura. Por sorte que Ponyo é teimosa, foge do fundo do mar, nada até a praia e ao encontrar o menino Sosuke começa uma amizade que tem força e cumpre uma função.

Fujimoto mantendo Ponyo presa numa bolha
Quem viu “A viagem de Chihiro - (2001)” sabe que o realizador japonês Hayao Miyazaki utiliza de fantasias, traços despojados, cores fortes, mitologias e belíssimas metáforas para contar uma história aparentemente simplória, mas que deixa entrelinhas para “gente grande” entender – questões ambientais, exploração do mais forte sobre os menos favorecidos, consumo exacerbado, etc.

Ponyo e Sosuke
Assim como a menina Chihiro, Ponyo liberta-se de um mundo cercado de conforto e falsa proteção, para ingressar numa vida que lhe desperta a consciência e abre caminhos com inúmeras perspectivas. Chamo atenção para a personagem Gran Mamare, mãe de Ponyo que, ao meu ver, representa a mulher conciliadora, que protege e não sufoca, a mulher que emana o espírito da Mãe Terra. Nada é à toa nos filmes do Miyazaki. 


Ponyo é mais uma história de amor e amizade que me encanta. Como acontece na animação “Mary e Max” - do realizador Adam Alliot -, Ponyo e Sosuke são de mundos distintos, mas nada impede que ambos façam dessas diferenças um motivo mais do que justo para nutrirem uma relação de amizade e companheirismo.

Gran Mamare

sábado, 14 de maio de 2011

Perde o gato


"Um gato vive um pouco nas poltronas, no cimento ao sol, no telhado sob a lua. Vive também sobre a mesa do escritório, e o salto preciso que ele dá para atingi-la é mais do que impulso para a cultura. É o movimento civilizado de um organismo plenamente ajustado às leis físicas, e que não carece de suplemento de informação. Livros e papéis, beneficiam-se com a sua presteza austera. Mais do que a coruja, o gato é símbolo e guardião da vida intelectual."

Carlos Drummond de Andrade
Trecho da crônica "Perde o gato"
In Cadeira de Balanço - 1970


Imagem: Web 

domingo, 8 de maio de 2011

Mama Mundi


Um feliz dia para todas as Mulheres, todas as Deusas e todas as Fêmeas que carregam dentro de si o dom da Criação.

Chico César - Mama Mundi - (2000)

Ilustração: Web

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Jeux Lunaires


Olhar a Lua, pisar na Lua, viver no mundo da Lua, jogar pedra na Lua, poetar sobre a Lua, namorar à luz da Lua. Tudo, e mais um pouco, já foi feito com esse astro feminino que influencia marés e humores.

Fotografá-la também não é novidade, mas o fotógrafo francês Laurent Laveder, através de ângulos criativos, criou um ensaio lúdico e poético chamado Jeux Lunaires (Jogos da Lua), onde a Lua se transforma em brinquedo ou objeto corriqueiro do dia a dia.












Laveder brincou com a Lua e reafirmou a frase do poeta Mario Quintana: 
"A Lua quando fica velha, todo mundo sabe que vira nova"

Para ver mais imagens clique aqui.

domingo, 1 de maio de 2011

Um Miguilim




 Um Miguilim
Pra se garimpar coração
Roseiral pra se descobrir, desverdecer, ver florear

Um Miguilim
Que arrebenta a trava do ver
Que arrebata em turvo espelhar
Quem conhecer, sem esperar,
nele a si próprio vê. Lá!







  Grupo Nhambuzim - Rosário (2008)
Canção inspirada no conto "Campo Geral", da obra do grande mestre João Guimarães Rosa - "Manuelzão e Miguilim"


Para "O Miguilim".

 Imagem: Web