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quarta-feira, 29 de junho de 2011

A Casa em Pequenos Cubos


Zelar por cada cubo de nossas vivências, edificando-os com calma e sutileza e, ao olhar para trás, contemplar uma torre de reminiscências.
Uma casa de pequenas e boas memórias.


A Casa em Pequenos Cubos (2008)
Realizador: Kunio Katô

domingo, 26 de junho de 2011

Alegre


"O Dito dizia que o certo era a gente estar sempre brabo de alegre, alegre por dentro, mesmo com tudo de ruim que acontecesse, alegre nas profundas. Podia?

Alegre era a gente viver devagarinho, miudinho, não se importando demais com coisa nenhuma."


João Guimarães Rosa
In: Campo Geral - Manuelzão e Miguilim 


Imagem: Web

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Dos sons, sabores e saudades do bom São João


Festas juninas têm cheiro de milho verde e sabor travoso de cravo e canela. Canjica, pamonha e mungunzá. Café quente e forte ou quentão para os mais fortes. Som de sanfona, triângulo e zabumba. Chiado da chinela e suor do forró pegado. Bandeirolas coloridas e balão (decorativo pode). Brincadeiras perto da fogueira, simpatias para arrumar casamento e sobressalto da bomba que o menino solta no terreiro. Não tem jeito, São João é festa que mexe com nordestino. Até os desavisados sentem uma pontinha de alegria nessa época. Sem falar do que estes festejos representam em outras terras.

Porém, como nem tudo é rojão, alguma tradição vai se extinguindo. O turismo virou moeda forte e criou suas regras. O forró está sendo plastificado – para não dizer massacrado (gente, Calypso não é forró). As festas mais famosas (ex. O Maior São João do Mundo em Campina Grande) estão sendo preparadas “para inglês ver”. É, tenho uma leve desconfiança de que a festa não seja mais “for all”. Lamento.

Mas como “ao meu lamento ninguém pode dar jeito”, eu vou recordando, revivendo, bebendo da fonte e me alimentando pela raiz, de preferência ao som do Rei do Baião – o Gonzagão.

Roendo Unha - Luiz Gonzaga

Um feliz São João a todos e eu que não sou besta nem nada vou aproveitar o ziriguidum!


Xilogravura: J. Borges e Severino Borges

sábado, 18 de junho de 2011

José e Pilar

Ao mestre, com carinho. Há 1 ano em outro sítio.


"Vida: existência efetiva, movimento da matéria num estado de organização, agitação, atividade, movimento.
Morrer: deixar de viver.
Gostar: desejar muito. Não chegar a concluir-se, extinguir-se, enfraquecer.
Morte: cessação das funções vitais. O fim da vida, ter estado e já não estar.
Amar: ter amor, afeição, devoção, estimar. Pilar, Pilar, Pilar..."

"Subi ontem a Montanha Blanca. Lembro de haver pensado, enquanto subia:
'Se caio aqui, me mato, acabou-se, não farei mais livros.'
Não liguei ao aviso. A única coisa realmente importante que tinha para fazer naquele momento era chegar lá acima."

José Saramago
In: José e Pilar (documentário) - 2010

Recomendo fortemente!












quarta-feira, 15 de junho de 2011

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Duas Coisas


Duas coisas só me deu o Destino: uns livros de contabilidade e o dom de sonhar.

Fernando Pessoa
In: Livro do Desassossego
Fragmento: 172
Eu faço uma pequena corruptela e digo:

Duas coisas só me deu o Destino: uns livros de Literatura e o dom [infinito] de Sonhar.

Imagem: Web

domingo, 12 de junho de 2011

Quando Fecho os Olhos


E aí você surgiu na minha frente,
e eu vi o espaço e o tempo em suspensão.
Senti no ar a força diferente
de um momento eterno desde então.

E aqui dentro de mim você demora;
já tornou-se parte mesmo do meu ser.
E agora, em qualquer parte, a qualquer hora,
quando eu fecho os olhos, vejo só você.

E cada um de nós é um a sós,
e uma só pessoa somos nós,
unos num canto, numa voz.

O amor une os amantes em um ímã,
e num enigma claro se traduz;
extremos se atraem, se aproximam
e se completam como sombra e luz.

E assim viemos, nos assimilando,
nos assemelhando, a nos absorver.
E agora, não tem onde, não tem quando:
quando eu fecho os olhos, vejo só você.

E cada um de nós é um a sós,
e uma só pessoa somos nós,
unos num canto, numa voz.


Quando Fecho os Olhos - Chico César
Respeitem meus cabelos, brancos. (2002)

Um lindo domingo de Sol para todos os enamorados!

Imagem: Web

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Luminária


[...]

cada momento está escrito como lembrança de toda a nossa vida arrastada até ao limiar dos tempos. é provavelmente uma falha, uma ausência que se alastra à totalidade, no fundo de cada dia que passa. fomos nesses dias uma história originária, braço robusto de mundo feito da água. o relance de um golpe profundo entre os esteiros prateados.

seguimos pela margem esquerda dos deltas e dos mouchões do rio. desbravamos a linha nítida do horizonte, das terras baixas desse território a que chamamos lezíria, a ilha, e avistamos no fundo da margem as velhas ermidas viradas a poente. a gama de cor tinge a superfície do mundo com laranja, vermelho, cinza e azul, as figuras primitívas das regiões celestes vertem as réstias de luz que expandem o céu, como um lençol suspenso sobre as nuvens.

luminária do crepúsculo

[...] 

Luminária - Cavalos no Gelo - 2011

Foto, texto e vídeo: Miguel Pessoa Vidal - Projeto Cavalos no Gelo
http://cavalosnogelo.blogspot.com

domingo, 5 de junho de 2011

Amor Feinho


                                   Eu quero amor feinho.
                                   Amor feinho não olha um pro outro.
                                   Uma vez encontrado é igual fé,
                                   não teologa mais.
                                   Duro de forte o amor feinho é magro, doido por sexo
                                   e filhos tem os quanto haja.
                                   Tudo que não fala, faz.
                                   Planta beijo de três cores ao redor da casa
                                   e saudade roxa e branca,
                                   da comum e da dobrada.
                                   Amor feinho é bom porque não fica velho.
                                   Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
                                   eu sou homem você é mulher.
                                   Amor feinho não tem ilusão,
                                   o que ele tem é esperança:
                                   eu quero amor feinho.

Adélia Prado
In: Bagagem - 1976

Imagem: Web

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Auto-retrato aos 32 anos


Nasceu em 1978, em Campina Grande – PB – Brasil

Tem 3 filhos de linhagem felina: Kiko, Matilde e Ritinha

Calça 35 para sandálias e 36 para sapatos

Pinta o cabelo de vermelho e usa chapéu

Usa óculos para leitura 

Estudou Letras porque ama Literatura, mas não deu sorte como professora

Escritores brasileiros que lê e relê: Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, J. Guimarães Rosa, Ariano Suassuna e Adélia Prado

Perdeu muitas oportunidades por ser tímida

Às vezes é chata e intolerante

Ama café e cafeterias

Aprecia um bom jazz regado a gim com soda

Gosta do mar, mas prefere o campo

Não usa bolsa de couro, não come carne, mas come frutos-do-mar

De tanto ver filmes se apaixonou por fotografia

É fã de Meryl Streep 

Adora silêncio e pode passar horas calada

É inconvenientemente pontual

Crê em Deus, tem formação católica e simpatiza com o Budismo

São Francisco de Assis é seu ídolo

Gosta de cozinhar, mas nunca fica satisfeita com o resultado

Sonha ver uma ópera ao vivo

Tem fobia de animais rastejantes

Ainda se choca com a estupidez humana

Acredita em pessoas bondosas

Gostaria que o Atlântico fosse mais estreito

Ama a vida, apesar de tudo


 Advertência: esse retrato passará por edições com o passar dos anos. 

Inspirado no Auto-Retrato aos 56 anos de Graciliano Ramos.

Imagem: The Great War - Rene Magritte