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quarta-feira, 28 de março de 2012

A flor da minha essência


Passeei por caminhos já trilhados, olhei paisagens conhecidas e fui tomada por um susto. Andei pelo brejo da minha infância. Senti a terra úmida, o vento fresco com cheiro verde. Ouvi rumores antigos da extinta casa de farinha. Provei da legítima cachaça brejeira, colhi jabuticaba... abracei um passado não muito distante, mas já em tons de sépia. E o susto, qual foi? Que não preciso ir muito longe para viajar. 

O ajudante de guarda-livros, Bernardo Soares, explica melhor:

Nunca desembarcamos de nós. Nunca chegamos a outrem, senão outrando-nos pela imaginação sensível de nós mesmos. As verdadeiras paisagens são as que nós mesmos criamos, porque assim, sendo deuses delas, as vemos como elas verdadeiramente são, que é como foram criadas. Não é nenhuma das sete partidas do mundo aquela que me interessa e posso verdadeiramente ver; a oitava partida é a que percorro e é minha.


Posso fazer infinitas viagens percorrendo o mesmo caminho. Posso me espantar com o que parece corriqueiro. Devaneando, sentindo e pisando no chão eu toco a flor da minha essência.

3 comentários:

  1. Realmente ,podemos fazer grandes viagens, sem sair...Apenas deixando-nos empolgar por uma boa leitura e imaginação...beijos,chica

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  2. E o corriqueiro é que é extraordinário... porque se repete tanto!!
    E só se repete o que é lindo, não é?!

    Beijinhos,

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  3. Ah que viagem bonita!

    Grande Beijo!

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