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quarta-feira, 11 de julho de 2012

Viajo porque Preciso, Volto porque Te Amo.


Viajo porque preciso, Volto porque te amo (2010) - realizado por Karim Ainouz (O Céu de Suely) e Marcelo Gomes (Cinema, Aspirinas e Urubus) - , tem título piegas e foi por isso que chamou minha atenção. Vi o filme sem saber do que se tratava, esperei o óbvio, mas tive uma boa surpresa.

O geólogo de 35 anos, José Renato, sai de Fortaleza e se embrenha pelos sertões do Ceará, Pernambuco e Paraíba, para realizar uma pesquisa de campo e avaliar o terreno para a abertura de um canal para as águas da transposição do rio São Francisco. A viagem, que a princípio seria a trabalho, torna-se uma espécie de degredo, pois José Renato está sofrendo de mal de amor, e encontra no isolamento daquelas terras uma chance de se distanciar de si mesmo, tenta esquecer a "galega", e se envolve com os moradores de vidas secas daquela região árida. A partir daí o filme ganha ares de documentário, e o personagem que até então fala apenas de si mesmo, ouve o que os outros têm a dizer. Sai do cronograma da pesquisa e transita por ambientes ora pitorescos, ora poéticos. Lida com pessoas que, apesar de fazerem parte de uma realidade peculiar, vivenciam inquietações universais: medo, vazio, solidão, desilusões e também todo o contrário disso. 

De tudo, o que mais me impressionou nesse filme foi a fotografia experimental; o elemento humano que, apesar da aridez da paisagem, é muito presente, e me surpreendi com a envolvente narração do protagonista, que nunca aparece, feita pelo querido ator Irandhir Santos, que interpretou o Quaderna na belíssima série "A Pedra do Reino".



Veja o trailer:

8 comentários:

  1. O título até que é bem certeiro para o filme. Vi partes dele e cativou-me o suficiente para o ver todo. Uma bela e introspectiva viagem...

    Um Beijo, porque preciso e porque te amo

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    1. O título é sugestivo e veio bem a calhar. ;)

      Beijo!

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  2. Margot,

    tive a oportunidade de assitir ao filme na mostra de cinema de Tiradentes, no ano em quem o Karim Ainouz foi o homenageado... Também fui fisgada, inicialmente, pelo título piegas (e lindo, rs). E, concordo com vc, após começar a rolar a fita é impossível não nos encantarmos pela beleza e sensibilidade da narrativa assim como pela poesia daquelas imagens, ambas tão nossas!

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    1. O filme é simples e cativa, realmente, Aline. Ainda assim não é o tipo de filme que agrada a todos... e talvez assim seja melhor. :)

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  3. Em qualquer filme presto uma atenção sempre muito especial à qualidade da fotografia!
    É algo de essencial para mim.

    Beijos,

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    1. Eu também não vejo um filme sem prestar atenção na fotografia, e este aí é daqueles que surpreendem.

      =)

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