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domingo, 19 de agosto de 2012

Quando a Fotografia dialoga com a Poesia



"Perto da nossa casa havia uma igreja com duas torres sineiras que mais pareciam gigantes coroados. Na cúpula de uma delas, aquela que ficava a nascente, havia um ninho com duas cegonhas brancas, protegido por uma das suas cantarias. Quando o sol estava a pique, estalavam os bicos como se fossem aplausos num deserto. Aprendi mais tarde que a esse bater de bico se chamava gloterar, ou glotorar. Era o único som que se ouvia no silêncio dos domingos de verão, depois de almoço, antes da avó nos chamar para dormir. Hoje, só resta a Igreja, ainda imponente e coroada, mas sem aquele alvéolo de beleza e ternura que era o ninho das cegonhas brancas perto da nossa casa. 
Este par, encontrava-se de vigia na entrada de uma aldeia vizinha. Já não era a torre gigante, nem um frenesim de aplausos no meio de nada, mas o crepúsculo estava ali para nos evocar que mesmo depois de dormir, mesmo depois do deserto, o silêncio não será mais o mesmo."

Cavalos no Gelo-
Miguel Pessoa Vidal

Mais fotografias, textos e vídeos, no link: Cavalos no Gelo

5 comentários:

  1. Adorei, Margot. Lindo demais! Beijos!

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  2. Que lindo, Margot! É incrível como uma imagem pode nos tocar fundo no coração, neh?!
    LINDA DEMAIS!!!
    Bjus

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  3. Esta foto é poesia autêntica!

    Regressado de férias aqui fica o meu beijinho.

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  4. Cristiane Vieira24/08/2012 11:05

    Poxa, que texto lindo. Parabéns, Miguel. Não conhecia teu dom da escrita. Lindo!

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  5. Obrigada a todos pela apreciação. No link há mais coisas bonitas assim. :)

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