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domingo, 26 de fevereiro de 2012

A Noite da Revolta

A propósito da festa do Oscar, logo mais, dedico esse post a todos os casais que amam cinema!



- Minha velha, está na hora de tomar o comprimido para dormir.
- Mas eu não quero dormir. Tem um filme na televisão que queria ver.
- Acho melhor você não ficar acordada. Pode não gostar do filme e depois passa a noite em claro.
- Não. Você tome o seu comprimido e eu prefiro ficar acordada.
- Mas eu não sei tomar o meu comprimido sem você tomar o seu. Acho que não vou dormir se tomar o comprimido sozinho.
- Experimente, Artur. Só esta noite.
- Estamos tão acostumados que, se os dois comprimidos não forem tomados juntos, acho que não faz efeito.
- Ah, Artur, você é a cruz da minha vida. Será possível que eu não possa nem ao menos rever um filme de Cary Grant?
- Estou te estranhando, Lindaura. Nunca pensei que você tivesse paixão por esse Cary Grant.
- Muito bonito, cena de ciúmes a essa altura da vida. Trinta e oito anos de fidelidade, e você me vem com uma coisa dessas. Você se esquece que, quando a Ginger Rogers passou o carnaval no Rio, o seu assanhamento não teve limites. Não sossegou enquanto não pediu a ela um autógrafo e Deus sabe o que mais.
- Nunca tive nada com a Gingers Rogers. Juro!
- Não teve porque ela não deu bola. Quer saber de uma coisa, Artur? Você diz que o seu comprimido sozinho não faz efeito. Então, tome também o meu. Tome os dois, tome cinco ou dez, e me deixe em paz curtindo o meu Cary Grant!

Carlos Drummond de Andrade
In: Histórias para o Rei

Na foto: Cary Grant

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Quero livro

Repostando... porque convém.



Quando alguém me sugere um livro e diz que ele prende do início ao fim, eu fico logo desconfiada, pois o que eu quero mesmo é livro que me liberte, quero livro que abra janelas e me faça ver longe.

Não, eu não quero livro para ler de uma só vez. Eu quero livro para degustar, para comer lentamente e se, por ventura, houver alguma passagem indigesta, sentirei náuseas por alguns instantes, mas saberei que foi bem ali onde fui provocada e, certamente, será daquele trecho que eu sempre lembrarei com mais intensidade. Não quero livro que sacia, quero livro que deixa o gosto de ser revisitado.

Sim, eu quero livro que me provoque e traga a agradável sensação de que estou viva, viva. Nada que me prende me interessa, por isso eu quero a liberdade de transitar por suas páginas, linhas e entrelinhas. Quero ir e voltar na leitura, adiar o seu final quantas vezes for preciso, para que o gozo de concluí-lo seja uma espécie de epifania. Eu quero livro para “saltar para dentro da vida”.

Imagem: Web

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Noite dos Mascarados


"Eu sou Colombina
Eu sou Pierrot
Mas é carnaval
Não me diga mais quem é você
Amanhã, tudo volta ao normal
Deixe a festa acabar
Deixe o barco correr
Deixe o dia raiar
Que hoje eu sou
Da maneira que você me quer
O que você pedir
Eu lhe dou
Seja você quem for
Seja o que Deus quiser
Seja você quem for
Seja o que Deus quiser."






Noite dos Mascarados -
Chico Buarque de Hollanda - 1966

Bom Carnaval para quem é de folia
O meu será de descanso e reflexões necessárias.
Até a Quarta de Cinzas... Seja o que Deus quiser!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Albert Nobbs



Não foi apenas a caracterização da Glenn Close que me chamou atenção, nem propriamente o curioso caso de uma mulher que, no século XIX, se traveste de homem para sobreviver numa época e sociedade machistas. O filme “Albert Nobbs” (2012) me disse mais pelas sutilezas do que pela técnica ou estética (embora possua belíssima fotografia).


Após ver o filme fiquei a pensar que ali há algo mais, algo tão velado quanto as formas femininas que o Sr. Nobbs guarda em trajes masculinos.

Faz-me impressão pensar numa mulher “amarrada”, por 30 anos, numa carapaça de homem e trabalhar como garçom, na tentativa de levar uma vida digna. Mas não era somente o corpo que estava aprisionado, embora o Sr. Nobbs pudesse sonhar, não podia revelar seus desejos e extravasar seus instintos. Sua feminilidade estava castrada; condição que não diferia das mulheres que assumiam seu verdadeiro gênero naquela época.  O que me faz lembrar da Diadorim do ‘Grande Sertão’ e também pensar em todas as mulheres que de um modo ou de outro, por uma razão ou outra, ainda hoje vivem guardadas dentro de si numa situação nem sempre confortável ou adequada.


“Albert Nobbs” é um filme de sutilezas, é um filme sutilmente feminino e vale mais pelo que não é dito do que pelo “impacto” de ver uma atriz vestida de homem.

Destaco a cena em que o Sr. Nobbs veste um vestido – vestimenta símbolo do feminino – e corre pela praia como se voltasse a ser uma doce menina.

Não acho que seja importante, mas o Oscar para a Glenn Close seria merecido.

Veja o trailer >>>aqui<<<

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Há dias...



"[...] Há dias que são filosofias, que nos insinuam interpretações da vida, que são notas marginais, cheias de grande crítica, no livro do nosso destino universal."

Fernando Pessoa -
Livro do Desassossego

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Ver um Mundo numa Gota d'Água


Este é o ensaio do fotógrafo amador Markus Reugels. Uma série de fotografias, de alta velocidade, de efêmeras gotas d'água que refletem pequenos planetas e imagens abstratas que se parecem com mundos imaginários.


Fotografia de gota d'água não é novidade, mas gosto de pensar que cada uma dessas fotos são tão únicas e tão fugazes que merecem ser olhadas com atenção. 

Agrada-me a ideia de me sentir miúda e caber ali, numa minúscula gota d'água, assim como já mostrei >>>aqui<<< um mundo num grão de areia retratado pelo Dr. Gary Greenberg.



Veja mais imagens no site do fotógrafo >>>aqui<<<

PS: Retrato em Branco e Preto, obrigada pela partilha das fotografias.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Do sabor das coisas


Por mais raro que seja, ou mais antigo,
Só um vinho é deveras excelente:
Aquele que tu bebes calmamente
Com o teu mais velho e silencioso amigo...

Mario Quintana
In: Espelho Mágico

Imagem: Gioia Cabri

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Quando nasci... (Das amenidades)


Quando nasci, um gato preto 
desses que vivem nos telhados, disse:

- Vai, Margot, ser Félix na vida! ^^

Imagem: Web