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quarta-feira, 28 de março de 2012

A flor da minha essência


Passeei por caminhos já trilhados, olhei paisagens conhecidas e fui tomada por um susto. Andei pelo brejo da minha infância. Senti a terra úmida, o vento fresco com cheiro verde. Ouvi rumores antigos da extinta casa de farinha. Provei da legítima cachaça brejeira, colhi jabuticaba... abracei um passado não muito distante, mas já em tons de sépia. E o susto, qual foi? Que não preciso ir muito longe para viajar. 

O ajudante de guarda-livros, Bernardo Soares, explica melhor:

Nunca desembarcamos de nós. Nunca chegamos a outrem, senão outrando-nos pela imaginação sensível de nós mesmos. As verdadeiras paisagens são as que nós mesmos criamos, porque assim, sendo deuses delas, as vemos como elas verdadeiramente são, que é como foram criadas. Não é nenhuma das sete partidas do mundo aquela que me interessa e posso verdadeiramente ver; a oitava partida é a que percorro e é minha.


Posso fazer infinitas viagens percorrendo o mesmo caminho. Posso me espantar com o que parece corriqueiro. Devaneando, sentindo e pisando no chão eu toco a flor da minha essência.

sábado, 24 de março de 2012

Se o poeta falar num gato


Se o poeta falar num gato, numa flor,
num vento que anda por descampados e desvios
e nunca chegou à cidade...
se falar numa esquina mal e mal iluminada...
numa antiga sacada... num jogo de dominó...
se falar naqueles obedientes soldadinhos de chumbo que
                                             [morriam de verdade...
se falar na mão decepada no meio de uma escada
de caracol...
Se não falar em nada
e disser simplesmente tralalá... Que importa?
Todos os poemas são de amor!


Mario Quintana
In: Esconderijos do Tempo

quarta-feira, 21 de março de 2012

Página no Facebook - Imagens são palavras que nos faltam


Olá, pessoal. Criei uma página no Facebook para minhas fotografias, e gostaria de convidá-los a visitar e 'Curtir', se assim desejarem!

Sejam bem-vindos e sintam-se à vontade!

Acessem o link: 


Namastê!

domingo, 18 de março de 2012

Viver... (como é e como se faz)



"Viver - não é? - é muito perigoso. Porque ainda não se sabe. Porque aprender-a-viver é que é viver, mesmo."


João Guimarães Rosa
In: Grande Sertão: veredas

Imagem: Web

quarta-feira, 14 de março de 2012

"Vai voando contornando a imensa curva..." (Das amenidades)


A mana chegou de férias e trouxe consigo uma prenda monocromática: um livro de mandalas para colorir.

Fui correndo comprar uma caixa de lápis de cor. Abri o livro com a avidez de uma criança, queria logo preencher aquelas lacunas com todas as cores que mais gosto.

Pensei que seria fácil, mas a tarefa requer paciência e concentração. Escolher as cores, criar uma harmonia e depois não se arrepender de ter optado por tal nuance - hum, acho que isso se parece com a vida.

Há alguns dias estou mergulhada nessa empreitada colorida. Já terminei a mandala acima e agora estou concluindo esta:



No livro, com 30 figuras, essas são as duas mais simples. Enquanto isso vou pintando e cantarolando:

Vai voando
Contornando a imensa
Curva Norte e Sul
Vou com ela
Viajando Havaí
Pequim ou Istambul
Pinto um barco a vela
Brando navegando
É tanto céu e mar
Num beijo azul...

Aquarela - Toquinho

domingo, 11 de março de 2012

Não entender


"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma bênção estranha, como ter a loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."


Clarice Lispector
In: Aprendendo a Viver




quinta-feira, 8 de março de 2012

Por todas as Mulheres...


"Por todas as mulheres mais velhas matreiras que estão aprendendo quando chegou a hora certa de dizer o que precisa ser dito e não se calar — ou calar-se quando o silêncio for mais eloquente que as palavras. Por todas as velhas em formação, que estão aprendendo a ser gentis quando seria tão fácil ser cruel... que conseguem ver que podem cortar quando for necessário, com um corte afiado e limpo... que estão praticando a arte de dizer verdades totais com total compaixão. Por todas as que rejeitam as convenções e preferem apertar as mãos de desconhecidos, cumprimentando-os como se os tivessem criado desde filhinhos e os tivessem conhecido desde sempre... por todas as que estão aprendendo a chocalhar os ossos, balançar o barco — e a cama —, além de acalmar as tempestades... por aquelas que são as guardiãs do azeite para a lâmpada, que se mantêm em silêncio no culto diário... por aquelas que os rituais, que se lembram de como fazer fogo a partir da simples pederneira... por aquelas que dizem as antigas orações, que se lembram dos símbolos, das formas, das palavras, das canções, das danças e do que no passado os ritos tinham o objetivo de instaurar... por aquelas que abençoam os outros com facilidade e frequência... por aquelas mais velhas que não têm medo — ou que têm medo — e que agem com eficácia de qualquer modo...

Por elas... que vivam muito, com força e saúde, e com um imenso espírito aberto aos ventos."

Clarissa Pinkola Estés
In: A Ciranda das Mulheres Sábias - 
Ser jovem enquanto velha, velha enquanto jovem.


Um lindo dia de Luz e Brisas amenas a todas as Mulheres!

Imagem: Jennifer Elysse

sábado, 3 de março de 2012

Sovente il Sole - Andromeda Liberata


 Muitas vezes o sol
resplandece no céu
mais belo e gracioso
quando uma obscura nuvem
já o escondeu.

E o mar tranquilo
quase sem onda
somente se percebe
quando uma tempestade
forte o turvou.


Aria composta por Antonio Lucio Vivaldi
in Andromeda Liberata
Do mito Andrômeda e Perseu







Há mitos e músicas para todas as ocasiões!

Pintura: Paul Gustave Doré (1832-1883)