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terça-feira, 29 de maio de 2012

Revisitando o Convento com Sete-Sóis e Sete-Luas

Não pretendo fazer deste blog um diário de viagem, mas há certas experiências que devem ser compartilhadas; ainda que seu significado seja tão íntimo que torne-se difícil dizer com palavras.

Aqui em Portugal já estive em diversos lugares que me deixaram sem fala - contemplo, apenas. No entanto, em Mafra o sentimento (ou reação) foi outro.


Quem leu o "Memorial do Convento", de José Saramago, dificilmente verá o convento de Mafra com olhos desatentos. É certo que o livro não tem rigor histórico, embora haja personagens e fatos históricos, a licença poética é mais forte e é elemento que traz magia ao romance.


Ao ver o exterior do convento não pude deixar de pensar no campo de batalha que foi aquela região, sendo necessários cerca de 50 mil trabalhadores, para que este palácio fosse edificado. Tentei recriar no meu pensamento os operários circulando naquele ambiente numa labuta infindável. (por coincidência o pátio do convento estava em obras de restauração, mas hoje a tecnologia é outra.)

A emoção foi grande, mas a parte mais arrebatadora estava por vir - foi quando entrei na Basília do Convento. Palavras nem fotografias podem traduzir a grandeza e a força daquele lugar. Calei-me e chorei. Chorei copiosamente.



É difícil dizer quantos e quais pensamentos povoaram minha cabeça. Uma confusão de sentimentos também. Ao passo que eu me encantava com a suntuosidade, a riqueza de detalhes, o rebuscado da arquitetura; eu também pensava na simplicidade daqueles que, anonimamente, emprestaram sua arte para compor aquela obra tão rica.


Depois pensei na minha família e amigos, que estão tão longe, e que eu queria que também vissem aquela beleza. E, obviamente, não esqueci do casal mais apaixonado da literatura: Baltasar Sete-Sóis e Blimunda Sete-Luas - “casal ilegítimo por sua própria vontade” -  que, no romance, nunca entraram na Basílica, mas naquele dia estavam comigo, testemunhando o que senti.

Desejei uma passarola para sobrevoarmos os arredores do lugar que inspirou a escrita da obra-prima de Saramago. Desejei ouvir a melodia do cravo do Sr. Scarlatti.




Domenico Scarlatti foi um compositor italiano de música barroca, personagem histórico romanceado por Saramago em "Memorial do Convento". 

quarta-feira, 16 de maio de 2012

"Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam"

Se o voo foi cancelado e teve um atraso de 24h é porque minha chegada estava reservada para o dia 25 de abril. Cheguei a Portugal numa data significativa para os portugueses, e agora especial para mim. Era feriado e as ruas estavam tranquilas. Os termômetros não marcavam mais de 12 graus, mas a minha euforia passava dos 30. Fui recebida com flores do campo e um sorriso ansioso; sim, "sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam."

E foi esta a 1ª impressão que tive de Lisboa:


Tudo que eu falar desta cidade será redundante, mas não canso de dizer: É linda!!!

A pequenina cidade que me acolheu também é linda e florida. Aliás, quem ama flores, assim como eu, não cansa de se encantar com as veredas desse lugar - há flores em tudo que eu vejo. Já fiz alguns passeios pelos arredores, são lugares bucólicos e quase sempre poéticos. A visita a Mafra foi a mais arrebatadora e merece post à parte. No mais, o que posso dizer é que a terra de Camões me fisgou.