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terça-feira, 18 de setembro de 2012

De gaivotas e golfinhos


A Boca do Inferno, na terra de Camões - um sítio onde a Natureza expõe suas entranhas a ponto de ser obscena, as ondas incansáveis lambem as pedras sem nenhum pudor e as gaivotas serelepes flanam soltas sobre nossas cabeças - foi um dos poucos lugares onde estive sem minha câmera e talvez por isto o que lá ouvi ficou registrado na minha memória como a mais bonita e bem conseguida fotografia:

"As gaivotas são os
golfinhos do ar."



Imagem: Jennaly Richards

sábado, 15 de setembro de 2012

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Cooper - O olhar de um gato fotógrafo


Olhei esta fotografia e pensei: aí está um ângulo diferente. O fotógrafo deitou no chão para fotografar o gato.  Até poderia ser, mas esta foto foi feita por outro gato. 

Eu já sabia que os gatos podem quase tudo, eles têm habilidades incríveis, mas saber que eles fotografam, para mim, foi uma grande surpresa. As fotos a seguir foram feitas por um gatinho norte-americano chamado Cooper cujos donos tiveram a ideia de pendurar uma mini-câmera fotográfica em seu pescoço. 








A câmera caseira, feita sob encomenda, faz fotos num intervalo de 2 minutos e rastreia os caminhos que o felino percorre. Os donos acharam que o resultado das fotos é bem interessante, e eu também acho, começaram a expô-las na net e agora estão vendendo as imagens pela bagatela de R$ 500. Eles dizem que o valor arrecadado é para a compra de ração para Cooper e doações para animais abandonados. Se assim for, tudo bem. Espero também que Cooper não se sinta incomodado com este equipamento em volta do pescoço.

E este é o gato fotógrafo - Cooper!
Lindinho! ^^


Para ver outros trabalhos de Cooper acesse seu Flickr > Cooper

domingo, 9 de setembro de 2012

Domingo, Silêncio e Solidão


"Fiquei sozinha um domingo inteiro. Não telefonei para ninguém e ninguém me telefonou. Estava totalmente só. Fiquei sentada num sofá com o pensamento livre. Mas no decorrer desse dia até a hora de dormir tive umas três vezes um súbito reconhecimento de mim mesma e do mundo que me assombrou e me fez mergulhar em profundezas obscuras de onde saí para uma luz de ouro. Era o encontro do eu com o eu. A solidão é um luxo."

Clarice Lispector
in, Um sopro de vida (Pulsações)

Pintura: Woman on a sofa - Kess van Dongen

terça-feira, 4 de setembro de 2012

70 com espírito de 20


Esta semana minha mãe completou 70 anos. Uma idade bonita e que mereceu uma comemoração cheia de carinho em companhia da família, que não é nada pequena. Depois de tudo me peguei a pensar: será que chegarei aos 70? E se chegar, terei a mesma vitalidade que ela tem?

Hoje em dia vivemos mais, porém as campanhas nas mídias, em geral, dão força para que as pessoas não demonstrem sua real idade. Ainda que para isso seja preciso se submeter a plásticas, botox e todos os aparatos dermatológicos caríssimos.

Então eu olho para as marcas de expressão no rosto da minha mãe. Elas têm sua história, revelam um percurso de vida sofrida, mas também de vitórias. Minha mãe não tem vaidades excessivas mas continua bonita, firme e forte. Mas isto é tão simples que mal conseguimos enxergar: a beleza é tão somente um estado de espírito. O sorriso e os olhos revelam a força disto, e não há tratamento dermatológico que supere.

Parabéns a minha mãe por ser uma moça num corpo de uma senhora. E parabéns para mim e meus irmãos por termos uma super-mãe cheia de jovialidade e fé na Vida.

Quanto a mim, espero chegar aos 70 feito essa senhorinha da imagem acima, plena de vida, com a esperteza de uma criança... e de All Star. Yep!

Imagem: Web

sábado, 1 de setembro de 2012

Antes do nome


Não me importa a palavra, esta corriqueira.
Quero é o esplêndido caos de onde emerge a sintaxe
os sítios escuros onde nasce o 'de', o 'aliás',
o 'o', o 'porém' e o 'que', esta incompreensível
muleta que me apóia.
Quem entender a linguagem entende Deus
cujo Filho é Verbo. Morre quem entender.
A palavra é disfarce de uma coisa mais grave, surda-muda,
foi inventada para ser calada.
Em momentos de graça, infrequentíssimos,
se poderá apanhá-la: um peixe vivo com a mão.
Puro susto e terror.

Adélia Prado
In: Bagagem (1976)

Imagem: Icebeer