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domingo, 31 de março de 2013

Escrever

"(...) Uma coisa eu já adivinhava: era preciso tentar escrever sempre, não esperar por um momento melhor porque este simplesmente não vinha. Escrever sempre me foi difícil, embora tivesse partido do que se chama vocação. Vocação é diferente de talento. Pode-se ter vocação e não ter talento, isto é, pode-se ser chamado e não saber como ir."

Clarice Lispector -
'Aprendendo a Viver'

segunda-feira, 25 de março de 2013

O primeiro livro que amei


Tantos livros já passaram por minhas mãos. Alguns li com alvoroço, outros sem muito interesse. Alguns reli, releio, outros para nunca mais. Não recordo tudo o que li, mas ainda tenho guardado o primeiro livro que amei. Trata-se de um livro pequenino que faz parte de uma coleção infanto-juvenil, e remonta às minhas leituras inaugurais. Leituras de puro deleite!


‘A Viagem de Retalhos’, da escritora baiana Sonia Robatto, é uma singela história de uma garotinha que faz um passeio com a avó até a casa das irmãs Cardoso – Cotinha e Emerenciana – duas senhorinhas que teciam uma belíssima colcha de retalhos. A menina ouve a conversa das 3 mulheres enquanto brinca com uns filhotes de gatinhos. Num momento que sua avó se ausenta da sala a menina aproxima-se das simpáticas velhinhas que estão a relembrar a história de cada retalho de pano. Havia lembranças tristes e lembranças divertidas. 


As irmãs percebem que a garota está atenta e convidam-na para uma pequena viagem. Estendem a colcha no chão da sala, sentam-se em cima de duas malas e a partir dali um mundo fantástico surge diante dos olhos da menina. A colcha transforma-se num lindo barco e as três navegam por mares incríveis. Encontram pescadores, tubarões, vendavais e de repente o mar transforma-se em céu, ambos confundem-se, e os peixinhos parecem voar. Passam perto da Lua, conversam com São Jorge... A viagem só é interrompida no momento em que a avó volta à sala e todo o cenário se desvanece como num passe de mágica. As irmãs Cardoso têm um sorriso maroto, mas a avó nada percebe. 

  
Antes de regressar à casa Emerenciana oferece a menina um retalho de pano cheio de bolinhas coloridas e diz em seu ouvido: ‘-Leve para a sua colcha, como lembrança da nossa viagem...’ Ela levou!


E esta é a história do 1º livro que amei – simples, fantasiosa e poética. Meus olhinhos brilhavam com as ilustrações!

Você lembra qual o 1º livro que amou?

sábado, 16 de março de 2013

Quando o Homem era criança...


Quando o Homem era criança, 
 por entre árvores caminhava 
tinha um manto e a aliança 
de um tempo que o confortava 
Quando um Homem era menino
e entre árvores se encontrava
sorria mais pelo destino
de felicidade que ignorava.

Texto e fotografia: Cavalos no Gelo -
Fragmentos Dispersos - 2013

terça-feira, 12 de março de 2013

Anna Karenina


Eu poderia dizer que em termos de cinema sou uma curiosa. Vejo todo gênero de filme e nem sempre importa se é blockbuster, clássico ou de arte. Sou curiosa (mas tenho minhas preferências). Quase sempre consigo encontrar pontos positivos e o tempo não é perdido.

Continuando com minhas opiniões pessoais, não vejo muita graça na atriz Keira Knightley, mas mergulhei na nova versão de 'Anna Karenina', do realizador Joe Wright. Atores e atuações à parte, fiquei encantada com o visual desse filme. E não importa que o cinema já tenha ao menos meia-dúzia de versões dessa mesma trama. Boas realizações são sempre bem-vindas.

A trágica história, escrita pelo russo Tolstói, todos já conhecem. Nem é segredo que a incauta Anna morre no final.


O que salta aos olhos é a direção de arte. Os cenários são lúdicos e com a evolução da trama eles se sobrepõem compondo belíssimos quadros. Os personagens transitam nesse ambiente teatral e por vezes temos a impressão que são marionetes bailando/atuando.


A fotografia bem cuidada realça ainda mais esse universo teatral. A trilha sonora é preciosa e o figurino é riquíssimo. O filme agrada aos olhos! A atmosfera da fotografia e cenários revelam semelhanças com a minisérie Capitu, que comentei aqui alguns posts atrás. Fiquei surpresa! Agrada-me essa estética lúdica e romântica, por isso vi a película sem piscar os olhos.